Piora de Chávez deve impulsionar participação eleitoral

Venezuelanos voltam às urnas no domingo para escolher os governadores de 23 Estados, dois meses após reeleição

LUIZ RAATZ, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2012 | 02h04

A piora no estado de saúde do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deve aumentar a participação nas eleições regionais que definirão os governadores dos 23 Estados da Venezuela, marcadas para domingo. Além disso, segundo analistas, a indicação de Nicolás Maduro como herdeiro político do líder bolivariano tem como objetivo pacificar as dissidências internas do chavismo, agravadas pela recaída de Chávez nas últimas semanas.

De acordo com o presidente do Instituto Datanalisis, Luís Vicente León, a nova cirurgia de Chávez em Havana provocará um aumento na participação eleitoral no fim de semana, tanto entre seus partidários quanto entre oposicionistas.

"O agravamento da doença pode ter um impacto e motivar os eleitores chavistas a defender a revolução nas eleições de domingo", disse León ao Estado. "Ao mesmo tempo, a oposição, com uma perspectiva de vitória no horizonte, uma vez que Chávez saia de cena, também pode recrutar mais eleitores."

Atualmente, a oposição governa sete Estados no país: Miranda, Táchira, Zulia, Carabobo, Amazonas, Lara e Nueva Esparta. Henrique Capriles, candidato derrotado por Chávez nas eleições de outubro, disputa a reeleição em Miranda contra o ex-presidente Elías Jaua.

Embora a Venezuela seja conhecida pela disparidade das pesquisas eleitorais, que variam conforme a filiação política do instituto, há na oposição temor de perder parte desses Estados - especialmente Miranda - depois da expressiva votação do chavismo em outubro. Segundo alguns desses levantamentos, Jaua é o favorito. " O temor de perder Miranda pode impulsionar a oposição, porque parte do chavismo que só vota na eleição presidencial está motivada a ir às urnas em razão da saúde do presidente", acrescentou León.

Na pré-campanha presidencial, o estado de saúde do presidente venezuelano elevou sua popularidade. Segundo especialistas em opinião pública, esse fenômeno foi causado pela empatia que o sofrimento de Chávez provocou em parte da população.

Divisões. Outra consequência das complicações no estado de saúde do líder bolivariano foi a designação do vice-presidente e chanceler Nicolás Maduro como seu sucessor. Especialistas venezuelanos acreditam que Chávez agiu para evitar dissidências dentro de seu grupo político, cada vez mais evidentes, e determinar um esquema de sucessão ainda em vida. "Se Chávez tivesse ficado em Cuba e operado, haveria mais especulações, mas voltou e apontou um sucessor", disse Oscar Reyes, consultor do canal estatal TVES. "A volta buscou fortalecer seu projeto. Aqui, há um chavismo de direita e um chavismo de esquerda. Os militares e os civis. Os pragmáticos e os radicais."

O diretor do Datanálisis concorda que o objetivo de Chávez foi pôr fim a essas tensões com outros possíveis sucessores, como o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello e Jaua. "É obvio que há divisão. Chávez ainda está vivo e está organizando isso", disse León. "Com novas eleições, o chavismo terá de apoiar Maduro."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.