Piora estado de saúde de ex-presidente do Egito

Segundo advogado, Mubarak acredita que governo egípcio quer matá-lo na prisão; fontes médicas dizem que ex-ditador sofreu duas paradas cardíacas

CAIRO, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2012 | 03h04

A saúde do ex-presidente do Egito Hosni Mubarak, de 84 anos, piorou bastante ontem. Segundo uma fonte do Ministério do Interior, ele teria sofrido ontem duas paradas cardíacas. O real estado do ex-ditador, no entanto, é um mistério. Alguns aliados afirmam que ele tem entrado e saído constantemente do coma, embora funcionários da prisão de Tora, onde ele se encontra, dizem que ele está consciente e ao lado dos filhos.

Um de seus advogados, Farid el-Dib, visitou o ex-presidente no sábado e afirmou que o estado de saúde de seu cliente é "muito crítico" e as condições da ala médica do presídio em que ele se encontra são "escandalosas". Segundo ele, Mubarak acusa as autoridades egípcias de quererem matá-lo na prisão.

"Querem me matar. Salve-me, senhor Farid, encontre uma solução", disse Mubarak, segundo Dib. "O Ministério do Interior e o procurador-geral serão responsáveis caso Mubarak morra na prisão sem receber atendimento médico adequado", disse o advogado.

Crise política. As autoridades egípcias temem que uma eventual transferência do ex-presidente para um hospital comum enfureça parte da população no momento em que o país passa por uma grave crise política. No dia 2, Mubarak foi condenado à prisão perpétua pela repressão da revolta contra seu regime, no início de 2011, que deixou 850 mortos. A Justiça não o condenou por responsabilidade direta, mas por não ter tomado a atitude necessária para impedir a violência. As acusações de corrupção contra ele e seus dois filhos, Gamal e Alaa, foram arquivadas.

Seis autoridades de alto escalão das forças de segurança de Mubarak foram absolvidas, o que fez muitos egípcios considerarem as sentenças brandas demais.

De acordo com autoridades, mesmo antes de ser deposto, o ex-presidente já apresentava problemas cardíacos e sofria os efeitos de um tratamento de combate ao câncer. As informações sobre seu estado de saúde sempre foram contraditórias. Mubarak compareceu ao julgamento deitado em uma maca. Em março de 2010, ele foi hospitalizado na Alemanha para a retirada da vesícula biliar e de um pólipo no duodeno.

Coração. Segundo uma fonte da penitenciária de Tora, ouvida pela agência de notícias France Presse, o estado de saúde de Mubarak piorou muito. "O coração de Mubarak parou duas vezes. Os médicos tiveram de recorrer a um desfibrilador. Às vezes, ele está consciente. Em outras, inconsciente. Ele rejeita se alimentar", disse a fonte, que pediu para não ser identificada.

Um funcionário do Ministério do Interior confirmou ontem que o estado de saúde de Mubarak é "crítico, mas estável". A saúde do ex-presidente teria se deteriorado após sua chegada à penitenciária.

Fontes próximas a Mubarak afirmam que ele sofre de depressão aguda, tem dificuldades respiratórias e hipertensão. Sua família pediu sua transferência para um hospital. Autoridades disseram, no entanto, que ele deveria ser "tratado como qualquer prisioneiro".

Na semana passada, as autoridades penitenciárias aceitaram que Gamal Mubarak, também detido na prisão de Tora à espera de outro julgamento por corrupção, fosse transferido para ficar mais perto do pai. Susana, mulher de Mubarak, e suas duas noras receberam autorização para visitá-lo no domingo depois de rumores de que o ex-ditador teria morrido. / REUTERS e AFP

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