Piratas atacam mais 4 navios na costa somali

Ações ocorrem depois de Obama ter prometido aumento da vigilância

Reuters e AP, MOMBASA, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2009 | 00h00

Piratas somalis capturaram ontem dois navios e atacaram outros dois no Golfo de Áden, na região do Chifre da África, um dia depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, ter prometido aumentar a ação militar contra a pirataria. Os ataques mostram a determinação dos criminosos em continuar agindo na costa da Somália, num claro desafio às forças navais ocidentais que patrulham a região.O navio Irene, de uma empresa grega, foi tomado pelos piratas quando fazia o trajeto entre a Jordânia e a Índia com 22 tripulantes filipinos a bordo. O navio de cinco toneladas Sea Horse, de bandeira togolesa, também foi sequestrado ontem quando navegava a 143 km da costa da Somália. Outro grupo de piratas atacou ontem com fuzis e lançadores de granadas o navio Safmarine Asia, de quase 22 toneladas. De acordo com membros da Marinha portuguesa que patrulham a região, nenhum tripulante foi ferido. Segundo a rede de TV CNN, citando fontes da Otan, os piratas também atacaram o navio mercante Liberty Sun, de bandeira americana, mas não conseguiram abordar. REVANCHE"Nossos últimos sequestros foram para mostrar que ninguém pode nos impedir de proteger nossas águas contra os inimigos", ameaçou Omar Dahir Idle, que vive na cidade de Harardera, na costa da Somália.Na segunda-feira, outro suposto pirata, Abdi Garad, havia prometido intensificar os ataques em águas cada vez mais distantes da costa somali. "Capturaremos cidadãos americanos e eles não devem esperar nenhuma piedade de nossa parte", anunciou.As ameaças de ataque cresceram depois que militares americanos mataram no domingo três piratas que mantinham o capitão Richard Phillips refém havia quatro dias a bordo de um bote salva-vidas. Phillips tinha se oferecido como refém em troca da segurança dos 19 tripulantes do navio dinamarquês Maersk Alabama.Ontem, Frank Castellano, comandante do destroier americano Bainbridge, que liderou o resgate de Phillips, disse que os disparos contra os piratas foram necessários "porque eles tinham a intenção de matar o refém". Castellano não deu detalhes sobre o estado de saúde de Phillips, que será enviado de volta para os EUA. Seu navio, o Maersk Alabama, chegou a seu destino final, em Mombasa, no Quênia, onde descarregou contêineres com ajuda humanitária para Uganda, Somália e Ruanda. O cargueiro foi protegido por 18 homens armados pelo restante do trajeto, para "evitar novos ataques", disse Castellano.

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