Piratas chamam atenção do mundo para Somália; Otan se reúne

Organização discute medidas para problema emergencial; negociações por petroleiro saudita continuam

Agências internacionais,

19 de novembro de 2008 | 18h50

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vai discutir, juntamente com outras organizações internacionais soluções, para o problema da segurança marítima global, afirmou nesta quarta, 19, o presidente da Comissão Militar da aliança, almirante Giampaolo Di Paola. "Ninguém pode fugir do fato de que 80% a 90% do comércio mundial é feito pelo mar, inclusive o de energia, e com a emergência do problema da pirataria na Somália, há uma consciência crescente sobre o problema. Só estamos no princípio da reflexão", disse Di Paola em entrevista coletiva.   Veja também Seqüestradores do superpetroleiro Sirius Star pedem resgate Piratas seqüestram dois navios com 41 marinheiros na Somália Navio de Hong Kong é capturado por piratas   A pirataria, cujos episódios ganharam força nos últimos dias no Oceano Índico, foi discutida nesta quarta pela Comissão Militar, principal órgão militar da Otan, formado pelos chefes de Estado-Maior dos 26 países-membros da Aliança.   Os piratas que seqüestraram na segunda-feira o petroleiro saudita Sirius Star exigem um resgate em "dinheiro" e afirmam que já "há negociadores" no navio, segundo uma gravação sonora atribuída a um dos eqüestradores e divulgada pela televisão catariana Al-Jazira, nesta quarta. Na breve fita, o suposto pirata diz que "há negociadores a bordo do navio e em terra", mas não detalha o montante exigido para a libertação do cargueiro, atacado no fim de semana passado em águas do Mar Arábico. Segundo o governo saudita, as negociações continuam.   Mesmo com uma ampla força marítima internacional monitorando a costa da Somália, piratas conseguiram seqüestrar pelo menos três barcos estrangeiros nos últimos quatro dias. Desafiando os navios da Otan, da Rússia e dos EUA que protegem a região, os piratas foram mais longe - até a costa do vizinho Quênia - e capturaram um dos maiores superpetroleiros do mundo, o MV Sirius Star, que transportava US$ 200 milhões em barris de petróleo, o equivalente a um quarto de toda a exportação diária de petróleo da Arábia Saudita.   A embarcação leva a bordo uma tripulação de 25 pessoas, dois de nacionalidade britânica, dois poloneses, um croata, um saudita e 19 filipinos. Ontem, o navio foi levado da costa do Quênia, onde havia sido interceptado pelos piratas, para um porto na Somália.   A audácia dos ataques mostra que uma patrulha militar não é capaz de controlar os piratas. "Não temos capacidade naval para cobrir toda a área sob ameaça", disse Robert Middleton, especialista em África do instituto Chatham House. "Ações marítimas na área são como um curativo, lidam com os sintomas e não a causa", disse Jason Alderwick, do International Institute for Strategic Studies, lembrando que frotas estrangeiras enfrentam desafios como patrulhar uma região equivalente aos mares Vermelho e Mediterrâneo juntos.   Piratas somalis seqüestraram na terça um cargueiro de bandeira de Hong Kong, um barco de pesca tailandês, e um graneleiro grego foram tomados pelos piratas nos últimos três dias, segundo Andrew Mwangura, da Associação de Marinheiros do Leste da África. O pesqueiro operado pela Tailândia e o cargueiro de Hong Kong foram seqüestrados no litoral somali de Áden com 41 pessoas a bordo, na tarde da terça, 18, a Agência Marítima Internacional, com sede em Kuala Lumpur.   São os mais recentes seqüestros de uma lista que já soma 92 ataques desde janeiro e ameaça aumentar o custo do comércio marítimo, já que as empresas estão mudando suas rotas para evitar ataques.   Precauções   Por causa da insegurança, a companhia marítima norueguesa Odfjell ordenou que 90 de suas embarcações contornem a costa africana pelo Cabo da Boa Esperança, evitando as águas infestadas de piratas que servem de passagem para o Canal de Suez, por onde passam mais de 20 mil cargueiros todo ano.   A rota do Cabo da Boa Esperança remete os navegadores aos primórdios do comércio marítimo com o Oriente, aumentando o tempo de navegação em até 15 dias a um custo diário adicional de até US$ 30 mil.   Para evitar a patrulha de navios militares, os piratas têm ampliado o raio de suas ações além do Golfo de Áden, em direção à costa sudeste da África, na altura do Quênia. Especialistas em segurança recomendam que as empresas deixem de pagar resgates e passem a contratar empresas de segurança privada.   A recente onda de seqüestros torna ainda mais importante a necessidade de pôr fim aos 17 anos de conflito na Somália. Para os especialistas, enquanto não houver um governo central na Somália, a pirataria continuará e tentativas militares de lidar com o problema fracassarão.   Exceto por um breve período em 2006 (quando uma milícia islâmica conseguiu se manter no poder), a Somália vive mergulhada na anarquia desde 1991, quando milícias derrubaram o ditador Siad Barre. O caos tornou o país o mais falido do mundo, onde quase metade da população depende de ajuda humanitária para sobreviver.

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