Piratas liberam navio saudita

Sequestro de 55 dias chegou ao fim depois do pagamento de US$ 3 milhões em resgate

AP, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

Piratas somalis liberaram ontem o superpetroleiro saudita Sirius Star e seus 25 tripulantes depois de receberem US$ 3 milhões em resgate. A liberação pôs fim ao sequestro do maior navio de que se tem notícia e afastou os temores de um desastre ecológico na costa leste da África.O pagamento do resgate foi fotografado pela Marinha americana, que ontem divulgou imagens de um objeto sendo lançado de paraquedas próximo ao navio, supostamente contendo o dinheiro exigido pelos piratas. Agências de notícias também citaram declarações de supostos piratas e de moradores da praia de Harardera, onde o navio era mantido, que confirmam o pagamento. Apesar disso, até ontem, a Vela International, empresa proprietária do Sirius Star, não havia confirmado o pagamento nem a liberação do navio."Eles concordaram em pagar os US$ 3 milhões", disse ao New York Times um suposto pirata, identificado apenas como Jama. "Quando os piratas recebem o dinheiro, eles dividem em partes ali mesmo e cada um desembarca com seu dinheiro no bolso."O Sirius Star está carregado com 2 milhões de barris de petróleo, avaliados em US$ 100 milhões, o equivalente a um quarto das exportações diárias de petróleo da Arábia Saudita. Ele havia sido capturado há 55 dias quando passava pelo Golfo de Áden, na costa do Quênia. A tripulação é composta por britânicos, sauditas, poloneses, croatas e filipinos. Seu sequestro marcou o ponto mais alto da escalada de ataques contra navios mercantes na região.LUCROSMais de 40 embarcações foram sequestradas por piratas somalis na região do Golfo de Áden em 2008, segundo informações do Escritório Marítimo Internacional. Além dos sequestros, os criminosos também assaltaram outras 100 embarcações ao longo do ano passado, tornando a pirataria a maior fonte de lucro na Somália, um país destruído por anos de guerra civil.Em resposta aos ataques, os EUA criaram uma frota chamada Força Tarefa Combinada 151, que pretende coordenar os esforços navais dos 20 países que tentam combater a pirataria na região, entre eles a China, a Rússia, a Grã-Bretanha e a Alemanha.A notícia da liberação do Sirius Star não diminuiu a apreensão do subcomandante da força, o comodoro Tim Lowe, da Marinha britânica. "É sem dúvida uma notícia excelente, mas não devemos nos esquecer dos quase cem outros navios mercantes que ainda estão cativos", disse. Entre essas embarcações, está o Faina, de bandeira ucraniana, carregado com 33 tanques de guerra russos modelo T-72 e grande quantidade de armas e munição.

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