Piratas pedem US$ 2 milhões pela libertação de capitão

Americano tentou fugir; em outro caso, refém francês morre durante resgate

Reuters, MOGADÍSCIO, O Estadao de S.Paulo

11 de abril de 2009 | 00h00

Richard Phillips, capitão do navio dinamarquês com tripulação americana sequestrado por piratas no litoral da Somália, tentou fugir ontem do cativeiro, mas foi recapturado pelos corsários, que agora exigem US$ 2 milhões para libertá-lo. Um outro sequestro envolvendo piratas terminou ontem em tragédia na região. Um dos cinco ocupantes franceses de um veleiro sequestrado na semana passada morreu durante a operação de resgate do Exército francês.De acordo com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, os outros quatro reféns - três adultos e uma criança - foram resgatados e passam bem. Dois piratas morreram na operação e outros três foram detidos. Sarkozy afirmou que foram as ameaças feitas pelos sequestradores que desencadearam a intervenção militar. O veleiro havia sido capturado no dia 4, a cerca de 640 quilômetros da costa da Somália. O episódio envolvendo o capitão americano também ganhou ontem contornos dramáticos. Segundo o Departamento de Defesa dos EUA, Phillips pulou do bote onde está sendo mantido e começou a nadar em mar aberto, antes de ser recapturado pelos piratas. Tripulantes do destroier americano Brainbrid chegaram a avistá-lo, mas a recaptura foi rápida demais para que pudessem resgatar o capitão.A Marinha americana anunciou ontem que está enviando dois navios de guerra para ajudar na libertação de Phillips. Segundo o chefe do Comando Central do Exército dos EUA, general David Petraeus, os reforços chegarão à região em até 48 horas. Os militares americanos estão agindo com cautela, já que os corsários ameaçam matar Phillips caso haja uma ação militar de resgate.O capitão americano foi capturado na quinta-feira por quatro piratas que tentaram sequestrar o cargueiro que ele comandava, o Maersk Alabama. Os piratas chegaram a assumir o controle do navio por algumas horas, mas enfrentaram resistência da tripulação americana e fugiram levando o capitão como refém.O Maersk Alabama, que pertence à empresa dinamarquesa Moller-Maersk, levava ajuda humanitária (400 contêineres com comida e insumos agrícolas) para Mombasa, no Quênia. A embarcação e seus tripulantes estão a salvo e devem chegar na semana que vem ao porto queniano.Em uma ação separada, piratas libertaram ontem o cargueiro norueguês MT Bow Asir, sequestrado no mês passado, após o pagamento de US$ 2,4 milhões em resgate. O navio carregava cerca de 23 mil toneladas de produtos químicos. Roger Middleton, especialista em pirataria do instituto Chatham House, de Londres, estima que apenas no ano passado tenham sido pagos US$ 80 milhões em resgate para piratas.

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