Piratas seqüestram novo cargueiro no litoral da Somália

Corsários exigem US$ 2 mi por navio iemenita com material de construção tomado na semana passada

Agências internacionais,

25 de novembro de 2008 | 08h40

Um grupo de piratas seqüestrou na semana passada um cargueiro iemenita no Golfo de Áden e exige um resgate de US$ 2 milhões para liberá-lo, confirmaram nesta terça-feira, 25, fontes da Autoridade Marítima iemenita. O navio, que transporta 570 toneladas de material de construção, foi capturado na quarta-feira passada quando navegava rumo à ilha de Socotra, localizada a cerca de 550 quilômetros do litoral iemenita, após partir do porto de Mukala, no sudeste do país, disseram as fontes.   Veja também: Mapa de todos os ataques reportados Pirata da Somália se diz herói e detalha operações no Índico   Desde o início do ano, mais de 80 embarcações foram atacadas na África, e 12 permanecem sob poder dos bandidos, que também retêm mais de 200 membros das tripulações. As águas do Golfo de Áden são consideradas agora as mais perigosas do mundo junto com as da Nigéria, e deslocaram do primeiro posto quanto a risco a Península de Malaca, antes a rota marítima mais insegura. Há uma semana, piratas com base no litoral da Somália abordaram o petroleiro saudita "Sirius Star", por cuja libertação exigem US$ 15 milhões.   A construtora iemenita que alugou o cargueiro afirmou que foram iniciadas negociações com os piratas, que aparentemente levaram o navio ao porto de Eyl, no nordeste da Somália. Segundo fontes da companhia, o próprio dono da construtora, um iemenita de origem somali que mora no Reino Unido, manteve contatos com chefes de tribos somalis, que negociam com os piratas.   O Sirius Star foi capturado no dia 15, com uma carga de US$ 100 milhões e 25 tripulantes (do Reino Unido, Polônia, Croácia, Arábia Saudita e Filipinas). O caso é o ponto alto de uma onda de pirataria que vem assolando o nordeste da África, uma das principais rotas marítimas do planeta. Os piratas já conseguiram milhões de dólares em resgate, o que gera um aumento nos custos do transporte e do frete.   A recente onda de seqüestros torna ainda mais importante a necessidade de pôr fim aos 17 anos de conflito na Somália. Para os especialistas, enquanto não houver um governo central na Somália, a pirataria continuará e tentativas militares de lidar com o problema fracassarão. Exceto por um breve período em 2006 (quando uma milícia islâmica conseguiu se manter no poder), a Somália vive mergulhada na anarquia desde 1991, quando milícias derrubaram o ditador Siad Barre. O caos tornou o país o mais falido do mundo, onde quase metade da população depende de ajuda humanitária para sobreviver.

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