Piratas somalis arrecadaram US$ 150 milhões no último ano

Chanceler queniano pede que para que empresas não paguem resgate por embarcações seqüestradas

Agências internacionais,

21 de novembro de 2008 | 13h31

Os piratas somalis que atuam no Golfo de Áden arrecadaram mais de US$ 150 milhões em resgates no decorrer do último ano, afirmou nesta sexta-feira, 21, o ministro das Relações Exteriores do Quênia, Moses Wetangula. O chanceler queniano fez um apelo aos proprietários de navios que trafegam pela região para que não paguem resgate quando seus navios forem seqüestrados. Ele acredita que o pagamento das quantias exigidas tornou os piratas mais ousados. As declarações do chanceler queniano foram feitas nesta sexta, durante um encontro de diplomatas para discutir a atuação de piratas no leste da África.   Veja também: Índia pode mandar mais navios contra piratas Mapa de todos os ataques reportados   No ataque mais audacioso perpetrado até o momento, piratas somalis capturaram um superpetroleiro saudita com carga avaliada em US$ 100 milhões em petróleo. As proporções da embarcação impressionam - o superpetroleiro é três vezes maior do que um porta-aviões americano, por exemplo. A imensidão do navio, porém, é justamente sua fragilidade. Cheio, a embarcação fica a somente 3,5 metros de altura da linha do mar, deslocando-se a cerca de 22 km/h. Na ação, os piratas atracaram na traseira do navio saudita - área que seus radares não cobrem - e facilmente tomaram o convés. "No mundo marítimo, esses superpetroleiros são como as frutas mais baixas das árvores", explica John Brunett, especialista em pirataria moderna. "São alvos fáceis."   Países da Europa e da Ásia anunciaram na quinta o lançamento de uma ofensiva naval de larga escala contra os piratas somalis que já seqüestraram mais de 90 embarcações na costa leste da África desde o começo do ano. A medida, tardia, foi acompanhada por uma resolução unânime do Conselho de Segurança da ONU que prevê sanções contra o já falido Estado da Somália, país de origem da maioria dos corsários.   O navio de guerra russo Neustrashimi escoltará nove navios de diferentes nacionalidades que navegarão ao longo da costa da Somália, anunciou nesta sexta Igor Digalo, porta-voz das Forças Armadas russas. Também serão escoltados os navios Stolt Confidence, Seja Emperor, Konolus e Ocean Trader, entre outros. A Marinha russa anunciou na véspera que fará presença permanente junto ao nordeste da África e o Golfo de Áden, onde piratas somalis mantêm atualmente 17 navios sob seu poder. A Coréia do Sul também planeja enviar um destróier para a área e o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, pediu que o Parlamento mude a lei que, desde a 2ª Guerra Mundial, proíbe ofensivas militares realizadas pelo país, informa, de Pequim, a correspondente do Estado, Cláudia Trevisan. Atualmente, há pelo menos 12 embarcações ancoradas no porto pirata de Eyl, na costa da Somália - entre elas, um navio carregado com armas, munição e 33 tanques de guerra.   A Marinha indiana pode reforçar suas presença no Golfo do Áden para conter os ataques de piratas contra navios, segundo afirmam jornais indianos. Os planos da marinha indiana incluem a ampliação significativa de sua presença na região da Somália, e a proposta é enviar quatro navios para o local, afirmou um alto oficial ao Times of India. Na quarta-feira, uma fragata militar indiana destruiu um dos barcos pesqueiros que vinham sendo usados por piratas somalis para seqüestrar navios e tripulações na costa leste da África. A operação marcou o que pode ser o início de uma contra-ofensiva à ação de corsários que, desde janeiro, fizeram cerca de 500 reféns, ameaçando uma das principais rotas do comércio marítimo mundial. A fragata INS Tabar abriu fogo contra o barco pirata quando navegava no Golfo de Áden, a 525 quilômetros da costa de Omã.     Pirataria moderna   Segundo o jornal britânico The Guardian, a pirataria na costa leste africana difere daquela praticada em outras regiões vulneráveis, como o sul da China e o Estreito de Malaca, entre Indonésia e Malásia. Nessas localidades, piratas costumam abordar navios para simplesmente roubá-los, enquanto a pirataria na Somália é marcada pelo seqüestro de embarcações. As ações na África exigem um alto grau de especialização, o que faria dos piratas somalis "descendentes diretos dos piratas do século 17", segundo Adrian Tinniswood, historiador do tema.   Uma troca de agressões entre seguranças em um navio carregado de petróleo e piratas com armamentos pesados, como granadas propelidas por foguetes, poderia ainda causar um desastre ambiental. Como os piratas reagrupam-se facilmente na costa, o combate aos centros de pirataria em terra torna-se inócuo. A instalação de câmeras de vigilância e radares pode aumentar a segurança, mas Brunett afirma que a única solução verdadeira é o restabelecimento de um Estado soberano na Somália. "Mas isso não deve acontecer tão cedo", completa.   A recente onda de seqüestros torna ainda mais importante a necessidade de pôr fim aos 17 anos de conflito na Somália. Para os especialistas, enquanto não houver um governo central na Somália, a pirataria continuará e tentativas militares de lidar com o problema fracassarão. Exceto por um breve período em 2006 (quando uma milícia islâmica conseguiu se manter no poder), a Somália vive mergulhada na anarquia desde 1991, quando milícias derrubaram o ditador Siad Barre. O caos tornou o país o mais falido do mundo, onde quase metade da população depende de ajuda humanitária para sobreviver.  

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