Piratas somalis seqüestram família alemã e capitão francês

Três turistas e capitão viajavam em barco próximo ao Goldo de Áden; Somália lança missão de resgate

Agência Estado e Associated Press,

24 de junho de 2008 | 19h43

Piratas somalis seqüestraram uma família alemã de três pessoas e o capitão francês do barco que viajavam perto do Golfo de Áden, informaram funcionários do governo da Somália nesta terça-feira, 24. Forças de segurança da Somália lançaram uma missão de resgate.   Veja também: Pirataria abre mercado para mercenários   As vítimas foram seqüestrados na segunda-feira e levados a uma região montanhosa perto de Puntland, uma área semi-autônoma no norte da Somália, disse Jama Hirsi Farah, ministro de segurança. Puntland fica na região da antiga Somália britânica.   "Nós despachamos uma força de segurança para conduzir uma operação de resgate," disse Farah à Associated Press. Os seqüestrados são um casal alemão, seu filho e o capitão francês do iate do qual foram retirados pelos piratas, acrescenta.   Aqil Abshir Qadi, um chefe tribal da região, disse que enviou 200 milicianos do seu clã às montanhas para tentar resgatar os seqüestrados. "Nossa intenção é colocar pressão sobre os seqüestradores," ele disse. "Se eles se recusarem a libertar os europeus nós usaremos a força. Mas estamos tentando resolver o problema através do diálogo."   A Embaixada da Alemanha no vizinho Quênia comunicou Berlim sobre o seqüestro, mas as autoridades federais alemãs ainda não comentaram o incidente.   Seqüestros e pirataria estão em crescimento na Somália, onde os seqüestradores pedem - e freqüentemente recebem - grandes resgates por suas vítimas. O litoral somali, com 3 mil quilômetros de extensão, é o maior de um país africano e infestado de piratas.   No sábado, um empregado somali da Organização das Nações Unidas (ONU) foi seqüestrado perto da capital Mogadiscio. A Somália não tem um governo efetivo desde 1991, quando senhores da guerra derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre e iniciaram uma guerra civil.   Como o país não tem Marinha, os Estados Unidos e a França estão pressionando por uma resolução da ONU que permita a presença de navios de guerra de outros países no litoral somali, para enfrentar os piratas.   Milhares de civis somalis foram mortos desde 2006, em meio a disputas religiosas e políticas entre os clãs. Após militantes islâmicos terem tomado grande parte do sul do país e a capital Mogadiscio, o fraco governo precisou pedir a ajuda de tropas etíopes para expulsá-los, em dezembro de 2006.   Logo depois os islâmicos começaram uma insurgência, que ainda não foi debelada. O país também enfrenta uma crise humanitária que se agrava rapidamente, com a fome ameaçando centenas de milhares de pessoas, por causa da seca e da alta mundial nos preços dos alimentos.  

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