Piratas somalis sequestram navio de bandeira dos EUA

Piratas somalis capturaram hoje um cargueiro de bandeira dos Estados Unidos, com 20 norte-americanos a bordo. Funcionários marítimos da Grã-Bretanha contataram a embarcação e afirmam que "todos estão bem", segundo um funcionário da Defesa dos EUA que falou sob condição de anonimato. O Maersk Alabama, de 17 mil toneladas, levava materiais de emergência para Mombaça, no Quênia, quando foi capturado.

AE-AP, Agencia Estado

08 de abril de 2009 | 12h16

Foi o sexto navio sequestrado em uma semana na região, o que, segundo analistas, ocorre em decorrência da nova estratégia dos piratas somalis de operarem fora da área de patrulhamento de embarcações internacionais no Golfo do Áden. Uma porta-voz da 5ª Frota da Marinha dos EUA, sediada no Bahrein, disse que é o primeiro ataque "envolvendo cidadãos norte-americanos e uma embarcação de bandeira norte-americana na memória recente". Ela não precisou o período abrangido.

A Casa Branca informou que monitora de perto o incidente. Segundo um porta-voz presidencial, o governo analisa o "curso da ação" a ser tomado. "É um desafio muito importante para a política externa da administração (Barack) Obama", afirmou Graeme Gibbon Brooks, diretor-gerente da britânica Dryad Maritime Intelligence Service. "Seus cidadãos estão nas mãos de criminosos e as pessoas esperam para ver o que acontece."

Brooks e outros analistas ouvidos se recusaram a especular se os EUA podem usar a força para libertar a tripulação. A Marinha dos EUA confirmou que a embarcação foi capturada no início desta quarta-feira, 480 quilômetros a sudeste de Eyl, cidade no nordeste somali, na região de Puntland.

Os piratas somalis são combatentes treinados que frequentemente usam roupas militares e embarcações rápidas com telefones satélite e GPS. Eles costumam ter armas automáticas, lançadores de foguete e vários tipos de granada. Bem afastados da costa, esses navios operam partindo de outros maiores.

Resgates milionários

Muitos dos sequestros terminam com o pagamento de resgates milionários. A pirataria é considerada a principal forma de se fazer dinheiro na Somália, um país há décadas sem um governo estável. Roger Middleton, um especialista em pirataria da Chatham House, de Londres, calcula que os piratas conseguiram US$ 80 milhões em resgates no ano passado.

Vários países mantêm navios para patrulhar a área dos ataques, porém trata-se de uma grande extensão, o que dificulta a cobertura total. No momento do ataque, por exemplo, havia cinco embarcações patrulhando o Golfo de Áden.

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