Pistoleiros matam 16 em igreja cristã do Paquistão

Pistoleiros que viajavam de motocicleta com "sacolas de armas e balas" invadiram hoje de manhã uma igreja durante a cerimônia religiosa e dispararam contra os fiéis, matando 16 pessoas, informaram a polícia e sobreviventes. O ataque ocorreu pouco antes das 9 horas locais, na Igreja São Domingos, no centro de Behawalpur, cidade da província de Punjab, sul do Paquistão. Sobreviventes contaram que fiéis tentaram fugir e esconder-se sob bancos para escapar às rajadas indiscriminadas do fogo de armas automáticas que deixaram a igreja com perfurações de balas. "Alguns deitaram-se. Alguns imploraram misericórdia. Eles (os pistoleiros) não deram ouvidos", disse Ali Shah, homem na faixa dos 20 anos de idade que estava no banco dianteiro quando os quatro pistoleiros mascarados invadiram o recinto. O sobrevivente era uma das cinco pessoas que recebiam tratamento no hospital municipal hoje à tarde. O padre Roccus Patras, pároco da São Domingos, disse que o templo pertence à Igreja Católica Romana. Acrescentou que na ocasião dos disparos uma comunidade protestante que não tem templo próprio fazia suas orações na igreja dominicana, conforme ocorre há 30 anos. Não ficou claro se o ataque tem a ver com a recente insatisfação causada pelos bombardeios liderados pelos Estados Unidos no Afeganistão. "Sempre que algo acontece com os EUA, pessoas atacam igrejas cristãs", disse Patras, suspirando. Os ataques no vizinho Afeganistão enfurecem muitos muçulmanos paquistaneses. Nenhuma organização assumiu a autoria do ataque, mas funcionários do serviço de inteligência disseram que membros de um grupo islâmico proibido estão sob suspeita. Não foram fornecidos detalhes nem feitas prisões imediatamente. Em quatro províncias do Paquistão, autoridades receberam ordens para que aumentem a segurança em igrejas cristãs. Em Islamabad, onde comandos policiais com armas automáticas guarneciam portões de igrejas hoje à tarde, o presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, condenou a perda de "16 vidas inocentes e preciosas". Musharraf acrescentou, num comunicado: "O método usado e a tática desumana empregada indicam com clareza o envolvimento de terroristas treinados, pertencentes a organizações propensas a criar discórdia e desarmonia no Paquistão." O médico Umar Farooq, da sala de emergência do Hospital Civil em Behawalpur, informou que, dos mortos, quatro eram crianças com menos de 12 anos, quatro eram mulheres e oito, homens. Um sacerdote na igreja que só se identificou como padre José, disse que o sacerdote que oficiava a cerimônia, padre Emanuel, foi morto - informação que a polícia não pôde confirmar imediatamente. Patras, padre católico, estava em sua residência paroquial preparando-se para a cerimônia que ele oficiaria duas horas depois, quando ouviu o tiroteio e saiu. "Peguei estas crianças, estas criancinhas, e corri", contou. "Saltamos o muro. Parecia que bombas explodiam. Depois daquilo, voltei à igreja e vi choro, sangue e pessoas morrendo. Eles (os atacantes) tinham sacolas de armas e balas." O chefe de polícia de Behawalpur, Haris Ikram, disse que todos os mortos eram cristãos, exceto um - um policial muçulmano chamado Mohammad Salim que, segundo testemunhas, vigiava o portão da igreja quando foi baleado. A polícia informou que pelo menos cem pessoas estavam no templo quando os seis atacantes chegaram em motocicletas e começaram os disparos, que duraram quase cinco minutos, fugindo tão rapidamente como haviam chegado.

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