(Photo by Kehinde Gbenga / AFP)
(Photo by Kehinde Gbenga / AFP)

Pistoleiros raptam 140 estudantes na Nigéria

Criminosos aterrorizam cidades do noroeste e do centro do país atacando aldeias, roubando gado e raptando celebridades locais ou viajantes em troca de resgate

Gbenga Oladipupo e Aminu Abubakar/AFP, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2021 | 08h30

Homens armados raptaram 140 estudantes no noroeste da Nigéria na noite de domingo, 4, segundo um professor, na mais recente de uma longa série de ataques deste tipo a escolas no país.

Os pistoleiros escalaram um portão para terem acesso ao internato da Escola Secundária Bethel na cidade de Chikun, no estado de Kaduna, onde um total de 165 estudantes dormiam.

"Os pistoleiros levaram 140 alunos, e 25 conseguiram escapar", disse o professor Emmanuel Paul à AFP.

Esse é o terceiro grande ataque em Kaduna nos últimos três dias e o quarto rapto de estudantes desde dezembro.

No domingo, pelo menos oito funcionários de um hospital do estado foram raptados, segundo a polícia, embora fontes locais digam que ao todo 15 foram raptados.

Sete pessoas foram mortas em ataques no domingo à noite em cidades vizinhas, disse Samuel Aruwan, que é o responsável pela segurança do governo Kaduna.

Grupos criminosos a que as autoridades chamam de "bandidos" aterrorizam cidades do noroeste e do centro do país mais populoso de África, atacando aldeias, roubando gado e raptando celebridades locais ou viajantes em troca de resgate.

Eles operam a partir de campos na floresta do Rugu, que se estende através dos estados nigerianos de Zamfara, Katsina e Kaduna, bem como do Níger.

Desde o início deste ano, parecem ter como alvo escolas, faculdades e universidades.

Posição firme

O governador de Kaduna, Nasir Ahmad El Rufai, tem sido um dos líderes mais insistentes em não pagar resgates a estes grupos. Recentemente, ele também ameaçou multar quem o fizesse, com a ideia de não encorajar raptos.

"A posição firme tomada por El Rufai começa a se espalhar na região, e outros governos estão a adotar a mesma estratégia", disse Idayat Hassan, diretora do Centro para a Democracia e Desenvolvimento, sediado em Abuja, à AFP.

"Rufai é considerado um inimigo que deve ser punido", acrescentou ela, explicando o número crescente de ataques no Estado.

Incapazes de garantir a segurança nas escolas e nos liceus, muitos estados do noroeste da Nigéria fecharam a maioria dos internatos escolares públicos e enviaram milhares de jovens para casa.

"Num país com um número estimado de 13,2 milhões de crianças fora da escola, o número mais elevado do mundo, estes raptos só pioram a situação", acrescentou ela.

Além disso, muitos peritos estão preocupados com a possível aproximação entre grupos criminosos do noroeste e os grupos jihadistas Boko Haram e o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP), que combatem o exército nigeriano há mais de 12 anos no nordeste do país.

Contudo, Nnamdi Obasi, analista do International Crisis Group (ICG), observou que "não há provas de que estes ataques às escolas sejam motivados por apoio político ou ideológico".

"Os motivos parecem ser exclusivamente financeiros e criminosos", disse ele.

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, 78 anos, tem sido amplamente criticado pela sua gestão econômica e de segurança.

"A recusa de pagar o resgate não é uma solução para acabar com os raptos", sublinhou Obasi. "É necessária uma estratégia para prevenir estes ataques, salvar as vítimas e trazer os sequestradores à justiça".

Desde dezembro, cerca de 1.000 estudantes foram raptados em diferentes estados nigerianos. A maioria foi libertada após negociações com as autoridades locais, mas algumas ainda estão a ser realizadas. Até agora, nenhum sequestrador foi detido ou levado à justiça.

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