Pivô de escândalo será julgado por traição na China

Pivô da mais grave crise política da China em duas décadas, o ex-chefe de segurança pública da Província de Chongqing deverá ser julgado sob acusação de traição no próximo mês, segundo o jornal South China Morning Post, de Hong Kong. Wang Lijun refugiou-se no Consulado dos EUA na cidade de Chengdu em 6 de fevereiro, desencadeando o processo que levou à queda de um dos principais líderes do Partido Comunista, Bo Xilai.

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2012 | 03h05

Wang passou 36 horas na representação diplomática americana e só deixou o local após receber garantias de proteção de autoridades de Pequim. Ele temia ser assassinado depois de ter entrado em rota de colisão com Bo, o então secretário-geral do partido em Chongqing e um dos principais candidatos ao órgão máximo de comando da China.

Bo foi afastado do cargo em 15 de março e está sendo investigado pela suspeita de uma série de irregularidades. Sua mulher, Gu Kailai, foi presa e acusada de assassinar o britânico Neil Heywood, que amanheceu morto em um hotel de Chongqing em novembro.

Até a fuga de Wang para o consulado dos EUA, Bo era considerado um dos mais fortes candidatos a uma das nove cadeiras do Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista, que detém o poder máximo na China.

A megacidade de Chongqing havia se transformado em sua plataforma de campanha, com seu modelo que misturava nostalgia maoista, intervenção do Estado na economia e uma ofensiva contra o crime organizado, comandada por Wang Lijun.

O ex-chefe da segurança era o braço direito de Bo e ganhou celebridade pela iniciativa antimáfia. A ofensiva levou a inúmeras acusações de abusos de autoridade, extração de confissões sob tortura e condenações sem embasamento legal. Segundo o South China Morning Post, os dirigentes chineses querem decidir o destino de Wang, Bo e Gu antes do congresso do PC previsto para outubro ou novembro, que escolherá os novos líderes do país.

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