Pizzaria em Indiana que se recusou a atender gays recebe US$ 842 mil em doações

Dona da Memories Pizza disse que se recusaria fornecer a comida para casamentos gays, pois aquilo entrava em conflito com sua fé

O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2015 | 10h03

INDIANÁPOLIS, EUA - Depois de se recusar a fornecer a comida para um casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, uma pizzaria no Estado de Indiana conseguiu arrecadar US$ 842 mil. 

No último sábado, 4, a página GoFundMe atingiu mais 29 mil doadores, por meio de uma campanha da rede de notícias conservadora The Blaze. As doações são feitas de forma anônima pelo site.

"A intenção era ajudar a família dos donos a evitar o custo oneroso de ter a mídia plantada em frente à sua casa, os ativistas tentando derrubá-los, assim como a falta de clientes após a polêmica", escreveu Lawrence Jones, um produtor que trabalha para Dana Loesch, da rede The Blaze. "Mas outros estranhos se juntaram, e o montante continua aumentando."  

A Memories Pizza entrou no centro de um debate nacional sobre a controversa lei de “liberdade religiosa” que permite a discriminação contra homossexuais, quando a dona Crystal O'Connor disse a uma televisão local que sua família recusaria fornecer a comida para casamentos entre pessoas do mesmo sexo, pois aquilo entrava em conflito com sua fé. 

O comentários rapidamente ganharam atenção nacional, com ativistas preocupados com a possibilidade de a legislação acobertar práticas discriminatórias, dando aval para empresas o  praticarem.

Boicote. Sancionada há quase duas semanas pelo governador republicano Mike Pence, a lei provocou uma onda nacional de boicotes ao Estado de Indiana. CEOs de grande empresas, como Apple e Marriott, criticaram a medida, pelo menos dois governadores proibiram viagens ao Estado financiadas com dinheiro público, a banda Wilco cancelou show que faria em Indianápolis em maio, e a Casa Branca declarou que a lei "não é condizente" com os valores americanos.

Sob pressão, Pence anunciou que pediu à Assembleia Legislativa que "arrume" a lei, mas seus críticos sustentam que a única saída aceitável é a revogação. A polêmica chegou a Arkansas na terça-feira, 31, com a aprovação de legislação semelhante. Na quarta-feira, 1º, o governador Asa Hutchinson recuou de seu apoio à medida e disse que não a sancionará antes que ela seja modificada.

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