Planalto deixa claro que não tolerará 'quebra de hierarquia'

A posse do novo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, foi marcada por recados claros do governo aos diplomatas: quebra de hierarquia, especialmente no nível do que fez o ministro Eduardo Saboia, não é aceitável. Em seu discurso de saída, o ex-chanceler Antonio Patriota criticou abertamente a atitude de Saboia, que lhe custou o cargo. Figueiredo cobrou "respeito à institucionalidade".

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2013 | 02h11

"A atuação independente do servidor em La Paz, em assunto de grande sensibilidade e sem instruções, representa conduta que não pode voltar a ocorrer. Por força de nosso trabalho, a diplomacia brasileira conquistou o respeito à dignidade a e credibilidade. Estou certo que continuará assim", afirmou Patriota em seu primeiro discurso, ainda na cerimônia de posse no Palácio do Planalto.

No Itamaraty, a uma plateia formada quase totalmente por diplomatas, de todas as idades, reforçou: "É imprescindível o respeito à hierarquia e as cadeias de comando. Sem isso, podemos desencadear processos de consequências imprevisíveis que trarão prejuízos à nossa coesão, a nossa credibilidade e a nossa capacidade de ação, habilidade para exercer influência e solucionar questões, até mesmo aquelas com componente humanitário e de proteção dos direitos humanos".

Uma resposta direta a Saboia, que alegou uma questão humanitária para retirar Pinto Molina de La Paz, mesmo sem ordens superiores.

No Palácio do Planalto, Figueiredo não tratou do assunto. Para os diplomatas, no entanto, foi incisivo.

"O Itamaraty que eu entendo não é apenas aquele que responde bem a desafios, é o que tem ideias, propostas e pensamento estratégico. Mas é também aquele que atua decisivamente no cumprimento das instruções recebidos e no estrito respeito à lei", disse. "Não estaremos no bom caminho se nos permitirmos que se percam aspectos essenciais de nossa cultura institucional como os princípios da hierarquia."

Figueiredo, lembrou, ainda, das acusações de assédio que pairam sobre diplomatas que estão sob investigação. "Comportamentos desse tipo não serão tolerados na minha gestão", disse. Em sua primeira entrevista como chanceler, Figueiredo repetiu que a hierarquia é fundamental.

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