André Dusek/Estadão
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Planalto espera posse de Macri para discutir sobre Venezuela

Governo acredita que declarações de presidente eleito foram feitas em meio ao calor da campanha eleitoral

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 02h00

As declarações do novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, de que espera que o Brasil reveja sua posição de apoio à Venezuela, ainda não estão nas prioridades de avaliação da presidente Dilma Rousseff. Com dezenas de problemas internos para serem tratados, Dilma deverá discutir esta questão apenas quando estiver próximo da reunião do Mercosul, marcada para o dia 21, em Assunção, embora ela tenha confirmado presença na cerimônia de posse de Macri, no dia 10.

Em um primeiro momento, a posição do Brasil é de cautela em relação às declarações de Macri. O governo tem reiterado que as primeiras falas do argentino pedindo a exclusão da Venezuela do bloco, ainda podem estar sob o calor da campanha. Portanto, a avaliação é que uma posição concreta de como o presidente se comportará só será efetivamente conhecida depois que ele assumir o cargo.

Mas a presidente Dilma tem apresentado um comportamento bem diferente de seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na relação aos vizinhos bolivarianos, principalmente a Venezuela. 

Na semana passada, Dilma despachou seu assessor especial, Marco Aurélio Garcia, a Caracas, para levar uma carta endereçada diretamente ao presidente Nicolás Maduro. O governo brasileiro não divulgou o teor da carta, mas o Estado apurou que ela tem opiniões e percepções de Dilma sobre o processo eleitoral venezuelano, marcado para o dia 6, sempre ressalvando o respeito à soberania daquele país. A carta menciona também a democracia na região. Segundo fontes, o presidente Maduro teria sido “sensível” às observações feitas por Dilma. 

O fato é que, a presidente Dilma não mandaria um representante seu de Brasília a Caracas se não fosse para dar um recado ao vizinho, indicando suas preocupações, ainda que destacando que o Brasil não interfere em questões internas e respeita a soberania dos países. Dilma teria tomado a iniciativa de enviar a carta por se sentir muito cobrada por diversos segmentos caros a ela por não ter se posicionado sobre a prisão de opositores políticos na Venezuela.

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