Eraldo Peres|AP
Eraldo Peres|AP

Planalto espera posse para discutir sobre punição à Venezuela

Governo acredita que declarações de presidente eleito foram feitas em meio ao calor da campanha eleitoral

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2015 | 21h59

As declarações do novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, de que espera que o Brasil reveja sua posição de apoio à Venezuela, ainda não estão nas prioridades de avaliação da presidente Dilma Rousseff. Com dezenas de problemas internos para serem tratados, Dilma deverá discutir a questão apenas quando estiver às vésperas da reunião do Mercosul, marcada para o dia 21, em Assunção, embora ela tenha confirmado presença na cerimônia de posse de Macri, no dia 10.

Em um primeiro momento, a posição do Brasil é de cautela em relação às declarações de Macri. O governo tem reiterado que as primeiras falas do argentino, pedindo a exclusão da Venezuela do bloco, ainda podem estar sob o calor da campanha. Portanto, a avaliação é a de que uma posição concreta de como o presidente se comportará só será conhecida depois que ele assumir o cargo.

Dilma, porém, tem apresentado um comportamento bem diferente de seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na relação aos vizinhos bolivarianos, principalmente a Venezuela.

Na semana passada, Dilma despachou seu assessor especial, Marco Aurélio Garcia, a Caracas, para levar uma carta endereçada diretamente ao presidente Nicolás Maduro. O governo brasileiro não divulgou o teor da carta, mas o Estado apurou que ela tem opiniões e percepções de Dilma sobre o processo eleitoral venezuelano, marcado para o dia 6, sempre ressalvando o respeito à soberania daquele país. A carta menciona também a democracia na região. Segundo fontes, o presidente Maduro teria sido “sensível” às observações feitas por Dilma.

O fato é que, a presidente Dilma não mandaria um representante seu de Brasília a Caracas se não fosse para dar um recado ao vizinho, indicando suas preocupações, ainda que destacando que o Brasil não interfere em questões internas e respeita a soberania dos países. Dilma teria tomado a iniciativa de enviar a carta por se sentir muito cobrada por diversos segmentos por não ter se posicionado sobre a prisão de opositores na Venezuela.

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