André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Planalto ignora indicação de espionagem dos EUA sobre Brasil

De acordo com o 'New York Times', programa de vigilância da NSA excluiu chanceler alemã, Angela Merkel, e manteve Dilma Rousseff

Lisandra Paraguassu, de Brasília, O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 20h16

BRASÍLIA – O Palácio do Planalto decidiu ignorar as informações publicadas pelo jornal The New York Times de que o governo americano teria mantido a espionagem sobre Brasil e México, incluindo os presidentes Dilma Rousseff e Enrique Peña Nieto, apesar de ter ordenado a suspensão da vigilância sobre a chanceler alemã, Angela Merkel. Ao contrário da reação adotada em 2013, quando chegou a cancelar a visita de Estado que faria aos Estados Unidos, a presidente preferiu o silêncio. Nem mesmo o Itamaraty foi autorizado a fazer qualquer tipo de comentário.

Às vésperas da primeira viagem aos EUA do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro Neto, o governo adotou a cautela e classificou a reportagem do jornal americano como “especulações”. O governo condena a espionagem internacional, diz o Itamaraty, mas o tema está sendo tratado entre a presidente e Barack Obama.


No MDIC, chegou-se a temer que as informações pudessem afetar, de novo, o relacionamento entre os dois países, que começa a voltar ao normal justamente com a viagem do ministro a Washington, na próxima terça-feira. Monteiro tem encontros marcados com a Secretária de Comércio, Penny Pritzker, e com o Representante de Comércio americano, Michael Froman, responsável pelas negociações externas do governo Obama. 

A viagem, marcada a mando da própria presidente, é o sinal de retomada das relações em alto nível entre os dois países, abaladas desde a revelação de que o Agência de Segurança Nacional (NSA) espionava empresas, cidadãos e o governo brasileiro, incluindo a presidente.

A avaliação, no entanto, é que a reação veemente adotada pelo Brasil em 2013 não teria lugar agora, especialmente quando o País atravessa dificuldades econômicas consideráveis e precisa recuperar investimentos externos e melhorar sua balança comercial. Em 2014, o país fechou o ano com US$ 7,97 bilhões de déficit com os Estados Unidos. Em janeiro de 2015, a conta está em mais de US$ 500 milhões favorável aos americanos. 

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