Plano Colômbia fortalece ação militar

O Plano Colômbia está provendo os militares de aviões de reconhecimento, informações de satélites, interceptação de comunicações e equipamento de visão noturna, entre outros aparelhos sofisticados.Além disso, o Exército colombiano tem investido maciçamente na qualificação de seus homens e na substituição do recrutamento obrigatório pela profissionalização. Ao final do governo Pastrana, o número de militares profissionais terá saltado de 10 mil para 55 mil.Há vários meses a guerrilha não conquista vitória significativa no terreno. Já as Forças Armadas têm avançado consistentemente. No dia 8, depois de uma operação conjunta de um mês, envolvendo 4 mil homens do Exército, da Marinha e da Força Aérea, os comandantes das três forças liberaram quatro municípios na costa sul do país, na fronteira com o Equador.A área, que abriga pelo menos 20 mil hectares de cultivos de coca, era controlada havia seis anos pelas Farc. A operação, que continua na região, já resultou na morte de 20 guerrilheiros e na captura de outros 50, além da descoberta de 7 laboratórios e 25 cristalizadores de coca.A fadiga da guerrilha no terreno coincide com o primeiro resultado concreto do processo de paz. No dia 2, foi firmado um "acordo humanitário" para a troca de prisioneiros - termo que o governo rejeita, por não reconhecer status de força beligerante à guerrilha.Três dias depois, as Farc soltaram um coronel da polícia, um tenente, um artilheiro e um agente, que vagavam pelas selvas do centro-oeste do país sob custódia de cerca de 50 guerrilheiros desde 5 de abril de 2000, quando seu helicóptero foi derrubado.O acordo prevê também a libertação de outros 42 soldados e policiais doentes e de 15 guerrilheiros, que começou neste sábado. As Farc, que detêm cerca de 500 policiais e militares, comprometeram-se, ainda, a libertar, num prazo de mais 15 dias, "um número não inferior a cem". "Parece que para eles se tornou um fardo pesado demais manter todos esses prisioneiros", disse ao Estado uma fonte da Casa de Nariño, sede do governo, comentando os termos altamente favoráveis do acordo.As dificuldades da guerrilha no campo de batalha coincidem também com os primeiros atentados a bomba atribuídos às Farc num grande centro urbano. De acordo com o procurador-geral da República, Alfonso Gómez, as investigações apontam para a autoria das Farc nos dois atentados do dia 25, que mataram 4 pessoas e feriram 30.Outra conseqüência indireta do Plano Colômbia é a ofensiva do governo contra os paramilitares, que lhe impuseram um tremendo constrangimento ao adiantar-se e ocupar uma área de 4 mil quilômetros quadrados no norte do país, destinados a abrigar os guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), numa nova "zona de distensão" para negociar a paz.A ação ousada paralisou, há um mês, as negociações com o ELN. Há três semanas, uma equipe de procuradores escoltada por militares realizou uma devassa sem precedentes em casas, empresas e entidades no norte do país suspeitas de ligação com os paramilitares.Em parte, a postura mais agressiva frente aos inimigos dos guerrilheiros é fruto da participação dos europeus - enfáticos na defesa dos direitos humanos e críticos dos vínculos espúrios que ligam setores militares e policiais aos paramilitares - nos programas sociais e institucionais incluídos no Plano Colômbia.Pode ter algum vínculo também com a reorientação política dada ao Plano - antes muito voltado para as áreas de cultivo de coca controladas pela guerrilha - pelo presidente George W. Bush.A reorientação parte de uma constatação simples: os grupos paramilitares têm conseguido arrancar das Farc o controle sobre redes de escoamento e comercialização da pasta-base. O que também pode explicar alguma disposição melhor da guerrilha em negociar, de um lado, e o recurso ao terrorismo urbano, de outro.

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