Plano de austeridade afeta partidos no poder

Países que implantaram políticas mais duras foram os mais afetados pelo avanço dos partidos extremistas

PARIS, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2012 | 03h04

O segundo fenômeno provocado pela crise, a rejeição da austeridade, é mais recente. Entre maio de 2010 e março passado, Grã-Bretanha, Irlanda, Portugal e Espanha escolheram primeiros-ministros de centro-direita, a exemplo de David Cameron e de Mariano Rajoy, para conduzir as finanças públicas e implantar planos de rigor fiscal.

Com a campanha de François Hollande, o eixo parece ter se deslocado em direção aos partidos que se opõem à austeridade. "Os países que implantaram políticas mais duras foram também os que registraram recessão ou taxas de crescimento entre as mais baixas. São os casos da Grécia, da Espanha e da Grã-Bretanha", afirma Sylvie Matelly, diretora de pesquisas do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris).

Embora ainda poderosa, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, foi afetada pela virada eleitoral. Enquanto o socialista Hollande se elegia em Paris, Merkel perdia a hegemonia de mais um Estado, em Schleswig-Holstein - embora seu candidato tenha chegado na frente. Foi a quinta derrota em seis eleições regionais realizadas em 2012.

Ontem, ela também foi derrota da Renânia do Norte-Vestfália, o Estado mais populoso e rico da Alemanha. Em ambas as eleições estaduais, a União Cristã Democrata (CDU), de Merkel, obteve seu pior resultado desde os anos 50. Após as votações, jornais, como o Financial Times Deutschland, decretaram a perda progressiva de poder da chanceler.

O próximo movimento no tabuleiro eleitoral ocorrerá na Irlanda, que dia 31 realizará um referendo para decidir se adere ou não ao pacto de estabilidade europeu, o tratado da austeridade imposto aos países da UE. Os irlandeses terão a chance de explicar didaticamente o que se passa na Europa. / A.N.

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