Spencer Platt/Getty Images/AFP
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Plano de Biden é investir US$ 2 trilhões em energia limpa

Candidato democrata promete reativar economia americana após a crise sanitária causada pela pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2020 | 04h30

WASHINGTON - O candidato democrata à presidência dos EUA, Joe Biden, anunciou ontem um novo plano ambiental de US$ 2 trilhões (R$ 10,7 trilhões) em quatro anos para aumentar o uso de energia limpa nos setores de transporte, eletricidade – hoje, o carvão e o gás natural ainda representam mais de 60% da matéria-prima usada no segmento – e construção civil. 

Segundo Biden, a proposta tem o objetivo de criar oportunidades econômicas e combater as mudanças climáticas. O democrata prometeu que o plano revitalizará a economia após a crise do coronavírus, aprimorará a infraestrutura e colocará os EUA no caminho para reduzir o uso de combustíveis fósseis.

“Transformar o setor elétrico americano, para produzir energia sem emissão de carbono, será o maior estímulo para a criação de empregos e competitividade econômica do século 21”, disse Biden. 

A proposta é uma segunda plataforma do plano de recuperação econômica de Biden – a primeira, anunciada na semana passada, prevê estímulo à indústria e à geração de empregos com investimento estimado em US$ 700 milhões (R$ 3,7 bilhões).

Com ela, a equipe de campanha vê uma oportunidade de fustigar o presidente Donald Trump, que ainda patina para cumprir suas promessas de grandes melhorias na infraestrutura americana. 

Analistas dizem que os republicanos atacarão a proposta argumentando que ela criará desemprego no setor energético, mas argumentam também que o plano será um teste para saber se Biden encontrou uma maneira de atrair ativistas ambientais e progressistas, que há muito tempo são céticos quanto ao alcance de suas promessas para o clima.

O plano de Biden tem metas específicas e agressivas, incluindo o fim das emissões de combustíveis fósseis até 2035. A proposta também prevê a criação de um escritório de Justiça Ambiental e Climática, dentro do Departamento de Justiça.

O governador do Estado de Washington, Jay Inslee, um importante ambientalista que concorreu à indicação presidencial democrata com uma plataforma de combate às mudanças climáticas, apoiou o projeto, dizendo que o ex-vice-presidente “aproveitou o momento”. “É um plano abrangente. Não é um tipo de ‘deixe-me agradar quem se preocupa com as mudanças climáticas’”, disse Inslee. 

A Evergreen Action, uma organização que defende o ambiente, e é liderada por vários ex-funcionários de Inslee, informou que discutiu ideias com a equipe de Biden nos últimos meses. Funcionários da campanha do democrata disseram que a proposta era o produto de discussões com cientistas, advogados da causa ambiental, membros de sindicatos, prefeitos, governadores e representantes de pequenas empresas.

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, principal órgão de ciências climáticas da ONU, manter a temperatura global em um nível seguro exigirá que a poluição de carbono caia para o zero até 2050. 

O plano original de Biden previa um gasto ambiental de US$ 1,7 trilhão (R$ 9 trilhões) em dez anos, com o objetivo de zerar as emissões de gases de combustíveis fósseis antes de 2050. De acordo com a campanha , o dinheiro virá de um aumento da alíquota do imposto de renda das grandes empresas, de 21% para 28%. / NYT

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