Plano de Chávez prevê maior cerco à imprensa

Governo venezuelano lança o pacote de medidas Gran Misión Seguridad para tentar melhorar a imagem da segurança pública em ano eleitoral

CARACAS, / AFP e EFE, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2012 | 03h03

O ministro do Interior e da Justiça da Venezuela, Tarek El-Aissami, detalhou em entrevista ao jornal Últimas Notícias o novo plano de segurança nacional preparado pelo presidente Hugo Chávez. As medidas, que ainda não têm data para entrar em vigor, incluem "vigiar o sensacionalismo da imprensa", um novo passo no cerco à mídia promovido pelo Estado.

Na entrevista, publicada no sábado, o ministro disse também que o plano Gran Misión Seguridad prevê um novo código penal e uma reforma na estrutura curricular das escolas. Aissami defendeu o maior controle à imprensa e negou que seja censura.

"Não se trata de censurar a verdade, mas de derrotar o critério perverso do uso sensacionalista do crime para fins lucrativos", disse, sem detalhar como será a operação na prática.

A reforma curricular, ainda segundo o ministro, servirá para que as crianças aprendam "moral e respeito à autoridade" desde cedo. O novo código penal deve prever, também, uma "municipalização" da Justiça, com a criação de instâncias para solução de conflitos menores e combate a "condutas socialmente reprováveis". O ministro citou como exemplos pessoas que urinam nas ruas ou que ouvem música em alto volume.

O plano nacional de segurança é uma tentativa do governo chavista de reduzir os índices de criminalidade às vésperas da eleição presidencial.

Em outubro, a Agência da ONU para Drogas e Crime divulgou um ranking de homicídios na América Latina, que é liderado pela Venezuela. O país tem a maior taxa de assassinatos da região - 49 por cada 100 mil habitantes.

Ontem, Chávez declarou que perder as eleições de outubro não seria "o fim do mundo". O presidente minimizou a possibilidade de uma derrota dizendo que "uma revolução não se faz em um dia".

As declarações foram dadas em uma entrevista ao canal de televisão Televen. Chávez prometeu uma transição de poder tranquila em caso de derrota, apesar de reafirmar que vencerá a disputa. "Se eu perder a eleição de 7 de outubro, serei o primeiro a reconhecer e a entregar o governo. Chamaria meus seguidores, civis e militares, e pediria que eles obedecessem a vontade do povo", disse.

Consulado. As declarações foram dadas um dia após um grande protesto em Miami contra o fechamento do consulado venezuelano. O governo alegou questões de segurança para fechar a representação diplomática, mas opositores acreditam que a ação teve como objetivo dificultar a votação para os venezuelanos que vivem nos EUA - a maioria antichavistas. Apesar da promessa de transição pacífica em caso de derrota, Chávez declarou que sua vitória é a única forma de "garantir a estabilidade" na Venezuela.

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