Plano de Hillary sofre oposição de palestinos

Autoridade Palestina exige que congelamento de assentamentos não fique restrito somente à Cisjordânia e seja estendido a toda Jerusalém Oriental

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2010 | 00h00

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, aceitou o plano de congelar a expansão dos assentamentos na Cisjordânia e busca, agora, convencer os 15 membros de seu gabinete a aprová-lo. Mas os EUA já enfrentam resistências do lado palestino.

Segundo o acordo formalizado entre Netanyahu e a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, as construções em Jerusalém Oriental não serão incluídas na nova moratória. Os palestinos, representados na negociação pelo presidente Mahmoud Abbas, rejeitam essa oferta e afirmam que apenas concordam em voltar a discutir se essa parte da cidade também for incluída no congelamento.

Até agora, Washington tem evitado tocar na questão. A ideia é esperar o resultado da votação no gabinete israelense para, então, intensificar as pressões sobre o lado palestino.

Liderando uma coalizão conservadora, que inclui partidos ortodoxos e nacionalistas, o premiê enfrenta resistência mesmo dentro de seu partido, o Likud. Analistas afirmam que, até o fim da semana, Netanyahu conseguirá a maioria dos votos caso faça concessões a alguns membros da aliança governamental.

O Partido Shas, que reúne judeus ultrarreligiosos sefarditas, estaria disposto a aceitar a proposta de congelamento desde que não inclua Jerusalém Oriental. O partido exige ainda que depois dos 90 dias da nova moratória as obras em todos os assentamentos na Cisjordânia sejam liberadas.

No pacote oferecido a Israel, em troca da suspensão temporária nas construções, os EUA prometeram conceder 20 caças F-35 avaliados em US$ 3 bilhões, vetar as iniciativas palestinas no Conselho de Segurança das Nações Unidas e sempre defender Israel em órgãos multilaterais.

Com o congelamento, os EUA querem pressionar palestinos e israelenses a negociar, em três meses, fronteiras definitivas e deixar temas como o dos refugiados palestinos para depois. Assentamentos que fiquem com Israel, depois desse prazo, seriam anexados.

PARA LEMBRAR

Construções recomeçaram em setembro

Ao tomar posse, em março do ano passado, o premiê Binyamin Netanyahu anunciou um congelamento temporário das construções israelenses na Cisjordânia. A moratória de dez meses expirou em 26 de setembro e Netanyahu não conseguiu persuadir sua coalizão a renová-la, como queriam os Estados Unidos. Israel retomou então as construções na Cisjordânia em um ritmo quatro vezes mais rápido do que a média registrada nos últimos dois anos. Com isso, os palestinos disseram que não participariam mais das negociações diretas iniciadas no início de setembro.

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