Plano de Obama para Afeganistão desagrada Congresso

Menos de um dia depois de anunciar a retirada de 33 mil soldados americanos do Afeganistão, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi atacado ontem por congressistas de seu partido e da oposição e sofreu uma crítica de seu principal assessor militar. O almirante Mike Mullen, comandante das forças conjuntas dos EUA, disse que e a decisão foi "mais agressiva" do que o esperado e deve "impor mais riscos" às forças no Afeganistão.

AE, Agência Estado

24 de junho de 2011 | 07h40

Em depoimento no Congresso, Mullen indicou que os EUA estão apenas na "metade" dessa guerra e não estavam preparados para receber tal ordem. "Nenhum comandante quer sacrificar o poder de fogo no meio da guerra e nenhuma decisão que demande tal sacrifício é tomada sem risco", afirmou o almirante à Comissão de Serviços Militares da Câmara. "Mais forças por mais tempo, sem dúvidas, é o caminho mais seguro. Mas não é necessariamente o melhor caminho. Somente o presidente, no final das contas, pode determinar o nível aceitável de risco que devemos assumir. Eu acredito que ele fez isso", completou.

Embora Mullen tenha enfatizado o seu apoio à decisão de Obama, suas ponderações indicam a resistência dos comandantes militares à retirada dos 33 mil soldados até setembro de 2012. Além de Mullen, o comandante das forças americanas no Afeganistão, general David Petraeus, foi contra a adoção dessa fórmula durante os debates de Obama com sua equipe de Segurança Nacional. Petraeus deverá assumir em setembro o posto de diretor da Agência Central de Inteligência (CIA). Até lá, deverá se valer de seus contatos políticos para tornar a decisão presidencial mais flexível.

No Senado, a secretária de Estado, Hillary Clinton, avaliou a decisão de Obama como a combinação dos ganhos recentemente obtidos no front afegão com o início gradual da retirada da mais longa guerra da história dos EUA. No entanto, ouviu críticas de partidários e da oposição à medida anunciada na noite de quarta-feira. A democrata Barbara Boxer (Califórnia) mostrou-se desapontada e criticou a retirada de apenas 10 mil soldados até o final deste ano. No Senado, a defesa da posição de Obama ficou a cargo do presidente da Comissão de Relações Exteriores, John Kerry (Massachusetts), tido como provável sucessor de Hillary em um segundo mandato de Obama. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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