AP Photo/Sebastian Scheiner
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Plano de paz de Trump para Oriente Médio começa a sair do papel

No domingo, Casa Branca anunciou um fórum econômico no Bahrein para discutir investimentos em território palestino como parte do que presidente americano chama de 'acordo do século' para palestinos e israelenses

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2019 | 12h38

Depois de mais de dois anos de estudo e deliberação, o plano de paz prometido por Donald Trump para acabar com o conflito entre Israel e os palestinos começou a ser esboçado no domingo, 19, quando o presidente americano e seu genro, Jared Kushner, anunciaram uma conferência econômica internacional no Bahrein, no final de junho, para “incentivar investimentos nas áreas palestinas”.

O fórum econômico, que se chamará "Paz para a Prosperidade", será realizado na capital, Manama, nos dias 25 e 26 de junho, segundo um comunicado conjunto dos governos de Bahrein e EUA, divulgado pela agência oficial "BNA". Este evento convocará governos, líderes empresariais e membros da sociedade civil do Oriente Médio para “compartilhar ideias, discutir estratégias e incentivar apoio para investimentos econômicos e iniciativas que poderiam ser possíveis mediante um acordo de paz", segundo o comunicado.

Segundo o jornal The New York Times, que divulgou a notícia no domingo, este seria o primeiro passo do plano de Trump e Kushner, que o presidente americano chama de "acordo do século". A expectativa é que o governo americano apresente um plano mais completo nas próximas semanas.

A idéia seria garantir compromissos financeiros de países ricos do Golfo Pérsico, principalmente Arábia Saudita e Emirados Árabes, bem como doadores na Europa e na Ásia, para induzir os palestinos e seus aliados a fazer concessões políticas para resolver o conflito de décadas com Israel. A Casa Branca indicou que está buscando dezenas de bilhões de dólares, mas não informou um número preciso. 

Diplomatas e veteranos de negociações anteriores entre israelenses e palestinos expressaram ceticismo com a iniciativa de Trump e a viabilidade desse tipo de proposta gerar resultados. 

As conversas de paz estão paradas desde 2014. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, se negou a voltar à mesa de negociação enquanto Israel não cumprir várias condições, entre elas o fim do crescimento dos assentamentos nos territórios palestinos ocupados - medida improvável diante daspromessas de Netanyahu de aumentar a expansão dos assentamentos.

Aaron David Miller, um ex-negociador de paz no Oriente Médio em governos republicanos e democratas, disse que ao Times que a medida é "necessária, mas insuficiente". “Estão colocando o carro na frente dos bois. O que torna um plano atraente é o pacote completo. Como fica a situação de Jerusalém?”, disse Miller. “Eles podem até adiar sobre questões importantes, mas vão perder poder de barganha, e não ganhar.”

O enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, Jason Greenblatt, um dos autores desse plano, disse na semana passada perante o Conselho de Segurança da ONU que apresentará uma visão "realista e aplicável".

O ministro das Relações Exteriores da Autoridade Nacional Palestina, Riyad al-Maliki, afirmou que a proposta dos Estados Unidos "não é um plano de paz, e sim as condições para uma rendição" da parte palestina.

Os palestinos afirmam que o governo americano deixou de ser uma parte neutra nas negociações desde que Trump assumiu e tomou uma série de medidas favoráveis ao governo do primeiro-ministro israelense, , reeleito para o cargo em abril. No ano passado, os EUA inauguraram oficialmente sua embaixada em Israel na cidade de Jerusalém, em um dia marcado por protestos violentos na Faixa de Gaza. O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel foi um dos mais controvertidos anúncios de Trump, que ficou isolado na decisão de transferir a embaixada do país à cidade, também reivindicada como capital pelos palestinos. 

No mesmo ano, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou o corte de US$ 200 milhões de financiamento enviado à Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), o que impactou os serviços oferecidos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.  Este ano, Trump defendeu que o país reconheça as Colinas do Golan como parte de Israel, contradizendo décadas da política externa americana e violando uma resolução da ONU sobre o caso.  As colinas do Golan foram ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexadas mais tarde, em 1981.

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