Plano de reconciliação não é suborno a Taleban, diz Otan

Segundo secretário-geral, entidade está oferecendo 'a oportunidade de uma nova vida' aos insurgentes

Associated Press,

04 de fevereiro de 2010 | 10h29

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), não planeja subornar as milícias do Taleban para que passem ao lado do governo como estratégia para pôr um fim à guerra, disse nesta quinta-feira, 4, o secretário-geral da entidade, Anders Fogh Rasmussen, ressaltando a importância das preocupações sobre o último plano para combater a crescente insurgência no país.

 

Os comentários de Rasmussen ocorreram em meio a revisões da estratégia para estabelecer uma trégua entre os insurgentes moderados para atrair-los ao processo político. A aliança atlântica demonstrou apoio pleno ao programa de reconciliação apresentado pelo presidente afegão, Hamid Karzai.

 

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Na quarta-feira, Karzai visitou a Arábia Saudita, esperando que o país ajude a persuadir os militantes do Taleban a aceitar a reconciliação. Os sauditas têm boas relações com o Taleban, já que foram um dos poucos a reconhecer o regime dos insurgentes no Afeganistão antes de 2001, quando foram derrubados.

 

Em uma mensagem no site da Otan antes de uma reunião com ministros de Defesa em Istambul, na Turquia, Rasmussen disse que um novo fundo de US$ 140 milhões oferecia aos insurgentes uma alternativa à luta armada.

 

"Muito tem se falado do novo plano de reconciliação e integração iniciado pelo governo afegão. Perguntam-se se estamos subornando os taleban para conseguirmos a paz. Isso é um assunto delicado", escreveu o secretário-geral.

 

Segundo Rasmussen, muitos insurgentes não lutam em oposição ao governo ou às tropas internacionais, e sim como se fosse um emprego. "Eles estão com o Taleban por pequenas quantias de dinheiro para sobreviver ou por outros motivos", explicou o chefe da Otan, argumentando que a organização está oferecendo "a oportunidade de uma nova vida".

 

Alguns críticos dizem que os planos de reconciliação falharão, pois atrairão somente os militantes de nível mais baixo, e ainda sem garantias de que poderiam voltar à insurgência.

 

A militância tem apresentado níveis de crescimento exponenciais no Afeganistão. Em 2004, a Otan estimava haver 400 taleban. Em 2009, este número havia ultrapassado os 25 mil, e no começo de 2010 a estimativa era de quase 30 mil guerreiros.

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