Plano de recuperação pode chegar a US$ 700 bi

Deterioração da situação econômica tem elevado projeção de custos

Lori Montgomery, The Washington Post, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2008 | 00h00

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, e outros democratas estão elaborando rapidamente um amplo programa de estímulo fiscal que poderá totalizar US$ 700 bilhões nos próximos dois anos.O valor, bem maior do que foi gasto nos últimos seis anos no Iraque, rivaliza com os US$ 700 bilhões já aprovados pelo Congresso no mês passado para socorrer o sistema financeiro do país. Será também um dos maiores programas de gasto público para reanimar a economia desde o New Deal.Sinais desse novo e amplo programa já começaram a surgir na semana passada. O governador de New Jersey, Jon Corzine, um dos assessores de Obama, e o economista de Harvard, Lawrence Summers, escolhido para chefiar a nova equipe econômica da Casa Branca, levantaram a possibilidade de um programa de gastos de US$ 700 bilhões. E, no domingo, outro assessor de Obama, o ex-secretário do Trabalho do governo Bill Clinton, Robert Reich, e o senador Charles Schumer também indicaram que o programa deve ser de entre US$ 500 bilhões e US$ 700 bilhões.Membros do governo de transição não confirmaram essas declarações, mas deixaram claro que as condições econômicas são muito graves, sugerindo que Obama pode ser obrigado a adiar sua promessa de revogar os cortes de impostos aplicados pelo governo de George W. Bush para famílias que ganham mais de US$ 250 mil ao ano.Também no domingo, Austan Goolsbee, porta-voz de Obama para assuntos econômicos, admitiu que o plano de criar 2,5 milhões de empregos até 2011 deve custar mais do que o programa de estímulo de US$ 175 bilhões, proposto pelo presidente eleito durante a campanha.Com os mercados financeiros em flutuação descontrolada e o desemprego em alta, os democratas querem que o Congresso aprove logo um pacote de estímulo econômico que será assinado por Obama quando tomar posse, em 20 de janeiro.O plano do futuro governo incluiria novos financiamentos para projetos de obras públicas, para recompor a infra-estrutura em frangalhos, assim como a promoção de fontes de energia alternativa. O projeto também deve incluir reduções de impostos para famílias de classes média e baixa, pessoas idosas e empresas criadoras de empregos, como Obama prometeu durante a campanha.O custo projetado de um pacote de estímulo econômico vem aumentando com a deterioração da situação econômica. Economistas que alguns meses atrás falavam em US$ 150 bilhões, agora defendem a criação de um pacote de US$ 500 bilhões ou mais. Se os cortes de impostos forem acrescentados a esse valor, o custo para o Tesouro deve aumentar em mais US$ 200 bilhões, dizem representantes democratas.O senador Schumer, numa outra entrevista, disse que o país está perto de uma espiral deflacionária como a que provocou o fechamento de empresas e a eliminação de empregos durante a Grande Depressão. "A economia está numa situação pior do que se pensa. O mais seguro é fazer todo o possível para evitar uma deflação."Existem inconvenientes sobre esse enorme aumento das despesas do governo, especialmente no momento em que o déficit do orçamento federal anual já atingiu US$ 1 trilhão, ou 7% do PIB - nível que não se observava desde o final da 2ª Guerra. Aumentar o déficit significa uma elevação da dívida nacional que, no final, terá de ser paga, com juros, para os grandes credores estrangeiros. Washington também pode acabar ultrapassando sua meta e desencadear uma inflação galopante quando a economia se recuperar. Ou o dinheiro poderá ser mal direcionado e não estimular de modo eficaz a economia.NÚMEROSUS$ 175 bilhões era o valor de um pacote de estímulo econômico proposto por Obama durante a campanhaUS$ 1 trilhão é o déficit do orçamento federal anual2,5 milhões de empregos Obama pretende criar até 2011

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