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Plano de religamento de usinas nucleares irrita japoneses

Num tipo de protesto raro, cidadãos adiaram durante horas uma audiência no Ministério do Comércio

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19 de janeiro de 2012 | 10h15

TÓQUIO - As medidas tomadas pelo Japão para reativar suas usinas nucleares - submetendo-as a testes de estresse e planejando que elas operem por até 60 anos - causaram indignação na opinião pública local, que passou a encarar a energia atômica com receio depois do acidente na usina de Fukushima, em março de 2011.

Num tipo de protesto raro no país, cidadãos adiaram durante horas uma audiência no Ministério do Comércio, na quarta-feira, em que a Agência de Segurança Nuclear e Industrial apresentaria a especialistas suas primeiras análises sobre os testes de estresse feitos em dois reatores da usina de Ohi, na localidade de Fukui.

A agência disse em relatório preliminar que os testes mostraram que os reatores eram capazes de suportar um choque semelhante ao sofrido pela usina de Fukushima, atingida por um terremoto de magnitude 9,0 e por um subsequente tsunami.

Os manifestantes exigiram ter acesso à deliberação dos especialistas e questionaram a imparcialidade deles.

Todos os 54 reatores nucleares japoneses foram desligados depois do acidente de Fukushima, privando o país de uma importante fonte energética. Depois dos testes de estresse, o governo nacional ainda precisará receber autorização dos governos locais de regiões onde há as usinas, para só então religar os reatores.

Mas vários desses governos locais dizem que os testes de estresse não são suficientes, e alguns solicitam que as conclusões relacionadas ao desastre de Fukushima também deveriam ser consideradas.

"Para que os temores locais quanto à reativação dos reatores sejam afastados, seria importante que o governo viesse com um conjunto abrangente de padrões de segurança e medidas baseadas em informações do acidente de Fukushima", disse o prefeito da cidade de Ohi, Shinobu Tokioka.

O governo e o Parlamento realizam investigações paralelas sobre o desastre, mas só devem concluí-las em meados do ano. Algumas comunidades querem a desativação definitiva dos reatores, apesar dos benefícios financeiros que eles trazem.

"Os testes de estresse não resolvem nada. O povo de Fukui não pode aceitá-los", disse Takatoshi Yamazaki, líder de um grupo comunitário que pede a desativação definitiva dos reatores nucleares da região. Segundo Yamazaki, os reatores de Fukui estão velhos demais para operarem.

Nesta semana, o governo decidiu prorrogar em 20 anos o prazo de funcionamento dos reatores japoneses, que anteriormente era de 40 anos. Essa decisão também causou indignação nas comunidades onde há usinas.

O prefeito da localidade de Tokai, Tatsuya Murakami - cidade na prefeitura de Ibaraki -, disse à emissora pública NHK que a prorrogação por 20 anos invalida a substância da proposta original.

A governadora da prefeitura de Shiga, Yukiko Kada, também disse que a autorização para o funcionamento das usinas por um período de até 60 anos causará preocupação na população quanto às medidas de segurança nuclear.

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