Plano de resgate do Kursk recebe críticas

Funcionários e ex-militares russos advertiram hoje que o ambicioso plano de cortar uma parte da proa do submarino nuclear Kursk antes de içar o resto da nave submersa poderia apagar as pistas sobre a causa do afundamento. As explosões que destruíram o Kursk ocorreram na proa, que será cortada e deixada no fundo do Mar de Barents. Grupos de busca colocarão cabos de aço que serão utilizados para levantar o restante da embarcação. Funcionários russos disseram que a principal razão para levar a operação é determinar as causas do desastre ocorrido no ano passado, no qual morreram todos os ocupantes do submarino. No entanto, especialistas reunidos em São Petersburgo, incluindo um ex-oficial militar, afirmaram que a operação, da maneira como está planejada, dificultaria a investigação. "A proa é agora a única testemunha silenciosa da tragédia e poderia servir como prova de um crime ou de ações não intencionais", disse Yevgeny Chernov, ex-comandante de um frota de submarinos do Mar do Norte, durante uma entrevista coletiva. "Porque não levantar todo o submarino? Parece que estão tentando esconder alguma coisa", acrescentou. As autoridades se defendem afirmando que a proa está tão danificada que não proporcionaria nenhuma pista, e que poderia abrigar torpedos, ainda não detonados, que colocariam em risco a operação. O Kursk foi afundado devido a uma explosão em 12 de agosto de 2000, durante um exercício de treinamento, matando os 118 marinheiros a bordo.

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