REUTERS/Brian Snyder
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Plano de Trump derruba controles sobre poluição derivada do carvão

Projeto apresentado pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA transfere para os Estados a maior parte da regulação sobre o setor e substitui as mudanças radicais no mix de energia do país propostas por Barack Obama por restrições modestas nas emissões

O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2018 | 11h55

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos divulgou nesta terça-feira, 21, um plano que diminuirá drasticamente o controle sobre a poluição causada pelas usinas termoelétricas movidas a carvão e transferirá a maior parte da regulação do setor para os Estados. 

A proposta de "Energia Limpa Acessível" (ACE, em inglês) apresentada pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA substitui as mudanças radicais no mix de eletricidade do país propostas por seu antecessor, Barack Obama, por restrições modestas nas emissões e em usinas específicas.

O projeto também define as diretrizes de poluição com base em suposições sobre quais melhorias poderiam ser obtidas através de atualizações na eficiência das instalações, e dá aos Estados a liberdade de criar seus próprios planos para reduzir as emissões de dióxido de carbono.

Andrew Wheeler, administrador em exercício da EPA, afirmou que a proposta "restaura o estado de direito e capacita os Estados a reduzir as emissões de gases de efeito estufa" ao mesmo tempo em que fornecerá "energia moderna, confiável e acessível para todos os americanos".

"A proposta de hoje fornece aos Estados e à comunidade regulada a certeza de que eles precisam para continuar o progresso ambiental enquanto cumprem a meta do presidente Trump de domínio energético", disse Wheeler, em comunicado.

A medida é mais uma das ações tomadas por Trump para cumprir as promessas de campanha de revitalizar a indústria do carvão e restaurar os empregos na mineração. Embora seja improvável que altere drasticamente o mix de energia dos EUA - ou dê um grande impulso à demanda interna de carvão - os defensores do setor elogiaram o esforço para "limitar a influência do governo federal e nivelar o campo de jogo".

"A política apresentada pelo governo anterior foi uma tentativa ilegal de impor uma agenda política ao sistema de energia do país", disse Hal Quinn, presidente da Associação Nacional de Mineração. "A nova regra respeita a infraestrutura e as realidades econômicas que são únicas para cada Estado, permitindo soluções direcionadas, ao invés de impor algo de cima para baixo."

Trump deve participar de eventos de campanha para a eleição legislativa de meio de mandato nesta terça-feira na Virgínia Ocidental, segundo maior Estado produtor de carvão nos EUA, onde em 2016 ele se comprometeu a "abrir as minas".

Defensores do meio ambiente e pessoas envolvidas na formulação do ambicioso plano de Obama para popularizar o uso de energia limpa nos EUA criticaram a projeto do novo governo, considerado uma forma de favorecimento político e disseram que representa uma retirada dos EUA da luta global contra as mudanças climáticas. 

"A EPA de Trump está abandonando qualquer tentativa de reduzir a poluição por carbono que está causando as danosas mudanças climáticas", disse Lissa Lynch, advogada do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. "Esta proposta viola a lei e joga no lixo os livros de ciências e economia, para apoiar usinas a carvão que não podem competir com as de energia mais limpa."

Depois de um período em que receberá comentários externos sobre a proposta, o governo Trump esperar concluir o novo plano para usinas termoelétricas a carvão em 2019. Os críticos da iniciativa, no entanto, prometem uma batalha jurídica contra a iniciativa que pode levar anos para ser resolvida. / WASHINGTON POST

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