REUTERS/Christinne Muschi
REUTERS/Christinne Muschi

Plano dos EUA separa pais e filhos pegos na fronteira

Governo de Donald Trump analisa reforma que manteria adultos presos enquanto recursos para asilo ou contra deportações tramitam

O Estado de S.Paulo

03 de março de 2017 | 20h43

WASHINGTON - Mulheres e crianças que tentarem cruzar juntos ilegalmente a fronteira dos Estados Unidos poderão ser separadas pelas autoridades americanas de acordo com uma proposta analisada pelo Departamento de Segurança Interna, segundo três autoridades do governo. Parte do objetivo da proposta é inibir mães de migrarem para os Estados Unidos com os seus filhos, disseram os funcionários, que receberam um briefing a respeito do projeto.

A mudança da política permitiria ao governo manter os pais sob custódia enquanto eles contestam uma deportação ou esperam pelas sessões para pedido de asilo. As crianças seriam colocadas sob custódia protegida pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos, num “ambiente de restrição mínima”, até poderem ficar sob os cuidados de um parente nos EUA ou de um guardião indicado pelo Estado.

Atualmente, famílias contestando a deportação ou requerendo asilo saem geralmente da detenção de forma rápida e podem permanecer nos EUA até que os seus casos sejam resolvidos. A sentença de uma corte de apelações federal impede a detenção prolongada de crianças.

O presidente americano, Donald Trump, tem defendido um fim para a chamada prática de “pegar e liberar”, na qual imigrantes que Cruzam ilegalmente são soltos para ficarem nos EUA enquanto aguardam os trâmites jurídicos.

Duas das autoridades foram informadas sobre a proposta por John Lafferty, chefe da área de asilo dos Serviços de Imigração dos EUA, num evento em 2 de fevereiro. Uma terceira autoridade do Departamento de Segurança Interna disse que a pasta está avaliando separar mulheres e crianças, mas ainda não havia tomado uma decisão. O departamento e a Casa Branca não responderam aos pedidos para comentar a informação.

A nova política permitiria ao departamento deter os pais e ao mesmo tempo cumprir a decisão da corte de apelações determinando que crianças imigrantes devem ser liberadas da detenção rapidamente. A sentença não estabeleceu como exigência a libertação dos pais.

A nova política “poderia criar um trauma psicológico contínuo”, disse Marielena Hincapie, diretora de um centro sobre legislação de imigração. Segundo ela, é provável que o governo enfrente uma nova batalha judicial se decidir implementar a política. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.