Plano nuclear iraniano volta à mesa de diálogo

Recomeçam hoje as negociações diplomáticas dos EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha - o P5+1 - e o Irã para tentar chegar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano e o retorno das inspeções da ONU a Teerã. A reunião de Genebra é a primeira desde o veto imposto pela França ao acordo há dez dias. Ontem o presidente François Hollande voltou a afirmar em Israel que seu país será "firme" nas tratativas.

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2013 | 02h09

A melhor possibilidade é que haja um acordo temporário que garanta uma pausa na produção de urânio enriquecido a 20% - necessário para o uso em pesquisas científicas e ponto de partida para o enriquecimento a mais de 90%, o que permitira a produção de armamentos - por parte do Irã, assim como a redução de estoques já existentes. Outra exigência dos membros do Conselho de Segurança da ONU e da Alemanha é que o Irã interrompa a construção da Usina de Arak. A contrapartida seria o alívio de parte das sanções econômicas internacionais impostas a Teerã.

O acordo temporário perduraria enquanto um novo entendimento, permanente, seria negociado para que o programa nuclear iraniano seja abandonado e, em troca, o Irã retome sua normalidade econômica com o fim definitivo das sanções.

Ontem, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversou ao telefone com seu colega iraniano, Hassan Rohani. Ao final, em comunicado, o russo demonstrou otimismo, afirmando que há "uma chance real" para resolver "este velho problema".

Do lado dos EUA, o secretário de Estado John Kerry demonstrou menos otimismo sobre o tema do que no dia 7. "Não tenho expectativa particular no que diz respeito às negociações de Genebra. Vamos negociar com boa-fé e tentaremos chegar a um primeiro acordo", disse. "O Irã compreenderá a importância de um documento que prove ao mundo que se trata de um programa pacífico."

O maior empecilho para um entendimento continua a ser a França. Na última reunião, o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, foi o primeiro e o mais enfático a externar suas restrições ao acordo que vinha sendo debatido. Hollande tem reiterado que seu governo não cederá nem aceitará um acordo que considere ruim ou temporário.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.