Planos para o Haiti 'não foram seguidos de ações', diz chefe de ONG

Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras, plano de reconstrução não saiu do papel e haitianos seguem dependentes.

BBC Brasil, BBC

10 de janeiro de 2011 | 20h21

Epidemia de cólera perdeu intensidade, mas ainda preocupa

Passado um ano do terremoto de 12 de janeiro de 2010 e de promessas pela reconstrução do Haiti, "os planos ainda não foram seguidos de ações concretas", disse nesta segunda-feira o chefe da missão da ONG Médicos Sem Fronteiras na nação caribenha, Stefano Zannini.

"É hora de desenvolvimento a longo prazo, de as agências humanitárias darem um passo ao lado. (Mas) a realidade é que os haitianos ainda são fortemente dependentes da nossa ajuda. Gostaria que eles pudessem decidir o que precisam e o que querem fazer", disse Zannini, em entrevista coletiva de análise de um ano do trabalho do MSF após o terremoto.

A ONG afirma que, desde outubro, a epidemia de cólera no Haiti afetou 171 mil pessoas e matou 3,6 mil delas. O MSF afirma que a proliferação da doença "está em declínio, mas ainda não acabou".

Metade dos infectados foi tratada pela ONG, por falta de estrutura governamental.

"Quantos hospitais foram construídos (pelo governo ou comunidade internacional)? Zero. As crianças haitianas tampouco estão estudando", afirma Zannini. "Houve muitas pessoas sentadas ao redor de mesas dizendo o que queriam fazer (pelo Haiti), mas poucos foram capazes de ações."

Necessidades urgentes

A ONG reclama mais "responsabilidade" dos agentes governamentais haitianos, o que é dificultado pela indefinição política no país, que ainda aguarda a realização do segundo turno de suas eleições presidenciais.

"A resposta (à tragédia), no final das contas, cabe ao governo, junto com as pessoas. E não sabemos como será o novo governo", disse na coletiva Unni Karunakara, presidente internacional do MSF.

As necessidades mais urgentes continuam sendo a reconstrução de hospitais, escolas e de moradias para cerca de 1 milhão de pessoas que ainda vivem em tendas, além de serviços básicos de abastecimento de água e tratamento de esgoto.

'Instabilidade'

O economista argentino Andrés Weisz, coordenador financeiro do MSF em Porto Príncipe, disse ter visitado a favela de Cité Soleil no último domingo e que "a situação é de forte instabilidade".

Depois dos distúrbios e da violência que se seguiram às eleições presidenciais de novembro, Weisz diz que há menos tensão pelas ruas da capital haitiana.

"Mas a sensação é de que as coisas podem mudar de uma hora para outra, com qualquer anúncio (relacionado ao pleito)", diz o economista, que está no Haiti desde 1º de novembro. "Pessoalmente, não vejo cenário (eleitoral) possível que não conduza a uma situação de violência."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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