Plebiscito é adiado nas áreas afetadas por ciclone em Mianmar

Regime afirma que consulta popular é o primeiro passo em direção à democracia no país

Efe,

06 de maio de 2008 | 04h48

A Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) anunciou nesta terça-feira, 6, que adiará a realização do plebiscito constitucional do próximo sábado nas áreas afetadas pelo ciclone tropical Nargis, que deixou pelo menos 15 mil mortos no país.  Veja tambémTailândia diz que há 30 mil desaparecidos em MianmarMortos em Mianmar já passam de 15 mil, diz TV estatal Um anúncio retransmitido pela televisão estatal informou que a consulta popular acontecerá no dia 24 de maio em cerca de 50 divisões das regiões de Irrawaddy, Pegu, Rangun e nos estados de Karen e Mon, onde se mantém o estado de emergência declarado no sábado passado após a passagem da tempestade. Essas regiões abrigam cerca da metade dos 53 milhões de birmaneses. As autoridades assinalaram que o plebiscito acontecerá na data prevista no restante do país. O plebiscito é o primeiro passo do chamado "Mapa de Caminho" em direção à democracia do país, que será concluído, segundo afirma o regime, com eleições livres em 2010. Mianmar é governada por militares desde 1962, e não realiza eleições democráticas desde 1990, quando o partido oficial foi esmagado pela coalizão opositora da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, um pleito que não teve seu resultado reconhecido pela Junta Militar. Desaparecidos e ajuda internacional O ministro de Assuntos Exteriores tailandês, Noppadol Pattama, disse nesta terça-feira em Bangcoc que o embaixador birmanês o informou que há cerca de 30 mil pessoas desaparecidas em Mianmar por causa do Nargis. A televisão estatal birmanesa disse nesta manhã que pelo menos 15 mil pessoas morreram por causa do ciclone, enquanto centenas de milhares estão desabrigadas, de acordo com a ONU. A Junta Militar - que mantém tensas relações com os Estados Unidos, a União Européia (UE) e outros Governos, por conta das pressões que recebe para a realização de reformas democráticas - aceitou o auxílio humanitário que essas nações ofereceram. No entanto, 800 toneladas de arroz continuam paradas nos armazéns do Programa de Alimentos das Nações Unidas, à espera do sinal verde das autoridades para que sejam distribuídas. Está prevista a chegada esta terça-feira a Rangun da primeira carga de alimentos, remédios e demais materiais de emergência procedentes da Tailândia, um dos principais parceiros da Junta Militar. A população nas regiões atingidas vive há três dias sem provisão de água e de eletricidade, e os preços dos artigos básicos dispararam devido à escassez e à especulação. O plebiscito é o primeiro passo do chamado "Mapa de Caminho" em direção à democracia do país, que será concluído, segundo afirma o regime, com eleições livres em 2010. Mianmar é governada por militares desde 1962, e não realiza eleições democráticas desde 1990, quando o partido oficial foi esmagado pela coalizão opositora da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, um pleito que não teve seu resultado reconhecido pela Junta Militar.

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