Plebiscito escolhe por manter Escócia unida à Grã-Bretanha

Emissoras britânicas Sky News e BBC declararam na madrugada desta 6ª a vitória dos partidários do 'Não'

Andrei Netto, Enviado Especial/Edimburgo

19 de setembro de 2014 | 02h24

As emissoras britânicas Sky News e BBC declararam na madrugada desta sexta-feira, com base em projeções, a vitória dos partidários da união entre Escócia e Grã-Bretanha. Até as 2 horas, 31 de 32 regiões haviam concluído a contagem. Os unionistas lideravam com 55%. Os separatistas tinham 45% dos votos. A diferença, de acordo com as TVs, se manteria estável até a totalização dos resultados.

Desde o início da votação, o cenário para os nacionalistas escoceses não era animador. As últimas pesquisas de opinião indicavam que a rejeição à independência e à secessão da Grã-Bretanha deveria vencer o plebiscito. Depois de 15 horas de votação, duas sondagens apontaram vantagem para a campanha Better Together

Segundo pesquisa do instituto YouGov, os unionistas teriam 54% dos votos, enquanto os separatistas ficariam com 46%. A diferença era um pouco menor de acordo com a sondagem do instituto Ipsos-Mori – 53% a 47% em favor da sobrevivência do Reino Unido.

O crescimento dos unionistas com a proximidade do plebiscito já havia sido apontado por cientistas políticos da Universidade de Edimburgo e da Escola de Economia e de Ciência Política de Londres (LSE) ouvidos pelo Estado.

Segundo eles, a tendência a conservar o status atual avançaria em razão do medo da mudança, argumento explorado pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron. A perspectiva de vitória estava clara no início da noite, antes mesmo do início da apuração, no otimismo demonstrado nos comitês da campanha Better Together, segundo informou ao Estado Iain McGill, um dos estrategistas regionais dos unionistas. “Os indicativos parecem muito bons”, afirmou, evitando entrar em detalhes.

Os prognósticos internos, segundo ele, indicavam uma larga vitória, por 57% dos votos válidos, contra 43% da campanha Yes Scotland. Até a madrugada de hoje, os líderes das duas campanhas, o independentista Alex Salmond e unionista Alistair Darling, não haviam se pronunciado reivindicando vitória ou reconhecendo derrota.

Apuração. A apuração dos votos começou no início da madrugada de hoje e transcorreu de maneira rápida. A estrutura montada pela comissão eleitoral foi a maior da história do país, para fazer frente a uma afluência recorde às urnas: 89% dos 4,2 milhões de eleitores inscritos, o maior comparecimento desde 1945, ao final da 2.ª Guerra.

Mudanças. Nas seções eleitorais do centro de Edimburgo, o fluxo de eleitores foi permanente, mas mais intenso pela manhã e no início da noite. Americana filha de escocês, Lucy Stuart votou por antecipação, via correio, mas, ao sair às ruas de Edimburgo, se disse surpresa com o clima de excitação no país.

“Estou impressionada com a atmosfera da cidade. As pessoas estão na expectativa do resultado”, contou a estudante de mestrado da Universidade de Edimburgo. “Eu votei ‘não’, mas parte de mim gosta da ideia do ‘sim’. O mais importante é a mensagem de democracia que estamos enviando. Espero que os políticos compreendam que queremos mudanças.”

É para anunciar mudanças que Cameron deve fazer um pronunciamento oficial às 7 horas de hoje (4 horas em Brasília), minutos após o horário em que os resultados oficiais do plebiscito devem ser anunciados.

Pronunciamentos. Cameron anunciou, na quarta-feira, em carta aberta também assinada pelos líderes do Partido Trabalhista, Ed Miliband, e do Partido Liberal-Democrata, Nick Clegg, um projeto de reforma legal e de devolução de poderes à Escócia, sem dar detalhes sobre o projeto.

De acordo com a imprensa britânica, a rainha Elizabeth II, que ao longo da campanha não se manifestou nem a favor, nem contra a independência – ela seguiria soberana da Escócia em qualquer cenário –, também deve realizar hoje um pronunciamento oficial. (COM REUTERS, AP E AFP)

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