Rodrigo Buendia/AFP
Rodrigo Buendia/AFP

Moreno mostra força e plebiscito impede volta de Correa à presidência do Equador

Todas as propostas de emenda do presidente, rompido com o padrinho político desde o ano passado, foram aprovadas nas urnas com folga, segundo projeção do Conselho Eleitoral; condenados por corrupção devem ser banidos de cargos públicos

O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2018 | 23h45
Atualizado 05 Fevereiro 2018 | 00h12

QUITO - O plebiscito constitucional deste domingo, 5, no Equador extinguiu a reeleição ilimitada no país, em uma medida que impede o retorno do ex-presidente Rafael Correa ao poder, em meio a cisão entre ele e seu sucessor, Lenín Moreno. Numa demonstração de força do atual presidente, as sete emendas propostas na votação, que incluem temas econômicos e ambientais, foram aprovadas.

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Segundo a contagem rápida do Conselho Nacional Eleitoral, o “sim” ganhou as sete perguntas, com uma certeza estatística de 99%. No começo da madrugada de ontem, com 36% dos votos apurados, 64,8% dos eleitores eram favoráveis a que a reeleição seja restrita a apenas um mandato, sem possibilidade de volta de um ex-mandatário ao cargo, como seria o caso de Correa.

As outras seis propostas de emendas contidas no plebiscito também foram aprovadas com folga. Uma delas impede a eleição para cargos públicos de políticos condenados por corrupção.

Na prática, o plebiscito se tornou uma disputa entre os rivais. Moreno descolou sua imagem da de seu padrinho político após assumir o cargo. Correa tentou expulsar Moreno do Alianza País (AP), o partido fundado pelo ex-presidente para promover sua “revolução cidadã”, mas perdeu a disputa, teve de deixar a legenda e fala em criar outro partido. 

Outra proposta aprovada, é a reestruturação do Conselho de Participação Cidadã e Controle Social, órgão criado por Correa para nomear autoridades eleitorais, além de procuradores, controladores, superintendentes e promotores.

Outras duas emendas, incluídas no plebiscito como concessões à direita e aos conservadores, preveem o fim da chamada “Lei da Mais Valia”, que limita o lucro no mercado imobiliário, e torna imprescritível o abuso sexual de menores de idade.

As duas questões finais, de interesse da esquerda ambientalista e indígena, proíbem a exploração de minérios em terras preservadas, além de diminuir a área para exploração de petróleo no Parque Nacional Yasuní. 

Pessimismo

A aproximação de ocasião entre Moreno e representantes da direita do espectro político equatoriano fizeram com que os partidários do ex-presidente Rafael Correa projetassem o apoio ao correísmo a, no máximo, 30% do eleitorado na votação de ontem. O voto “não”, recomendado pelos correístas, obteve entre 25% e 35% dos votos.

“30% dos votos contrários às propostas do plebiscito já seria uma vitória enorme da revolução cidadã”, avaliou a principal estrategista de Correa, Gabriela Rivadeneira. “Mesmo com todas as forças políticas em oposição ao nosso projeto e a imprensa em uníssono contra nós, conseguiríamos manter o nosso núcleo duro.”

A deputada, no entanto, estimou que um rechaço igual ou menor que 20% à agenda de Moreno representaria uma derrota difícil para o ex-presidente. “Sendo bastante realistas, nosso objetivo nessa consulta era manter nossa base de apoio”, acrescentou a deputada.

Os ex-candidatos à presidência Guillermo Lasso e Dalo Bucarám, apoiaram a iniciativa do plebiscito. Ambos cobraram que o presidente prossiga “o diálogo e as mudanças”. / AFP e EFE




 

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