Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Podem tentar alguma medida contra a minha família'

Empresário turco naturalizado brasileiro diz que decisão de STF pode ter impacto em parentes na Turquia

Entrevista com

Ali Sepahi, empresário turco-brasileiro

Murillo Ferrari, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 17h04

O empresário turco naturalizado brasileiro Ali Sepahi disse ao Estado nesta quarta-feira, 7, que teme represálias à sua família na Turquia após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter rejeitado o pedido de extradição para seu país natal.  "Eles podem tentar alguma alguma medida porque eu não sou mais uma pessoa normal", disse. Leia a entrevista:

- Você disse que prestou serviço para o Consulado turco. Como era isso?

Eles (o Consulado turco) me chamavam para fazer tradução em alguns eventos e eu ia sem cobrar nada porque pensava que era um serviço que fazia pela pátria, para as pessoas conhecerem a Turquia. Pensava que estava ajudando o país. Fui até guia de viagem de empresários brasileiros.

 

- E como passou a ser considerado terrorista?

Quando aconteceu a tentativa de golpe, eu quis sacar o dinheiro que tinha no banco lá no país (Ali explicou, na coletiva, que recebeu o dinheiro quando casou e o deixou em uma conta conjunta com a mulher, Merve), então tentei fazer uma procuração para um amigo meu por meio do consulado, mas eles nem permitiram que eu e minha esposa entrássemos no prédio. Não entendi, porque não tenho nenhuma ligação com as pessoas que tentaram dar o golpe. Como podiam me acusar de algo que não fiz? Foi uma associação automática só porque eu tinha ligação com o Hizmet e conta no banco (Asya, depois fechado por Erdogan). Então foi assim que o Consulado rompeu relação comigo.

 

- Seu advogado deu alguma recomendação para evitar outros problemas com o governo de Erdogan?

Olha, o que podia acontecer de pior comigo, o mais grave (que era ser preso) já aconteceu. Eu não sou uma pessoa política, nem defendo algum partido político na Turquia. Eu sou um empresário querendo viver aqui no Brasil e continuar minha vida. Não vou mudar por causa desse processo, não vou virar político, não vou ser uma voz crítica na Turquia. Quero continuar minha vida normal e sem restrições.

 

- Mas em viagens, por exemplo, vai evitar países aliados do governo turco?

Claro, eles podem tentar alguma alguma medida porque eu não sou mais uma pessoa normal (no sentido de ser anônimo). Meu caso teve muita repercussão aqui na Turquia, especialmente nas redes sociais. Então preciso ter cuidado com os países para os quais eu for e tomar cuidado para não passar nesses países (aliados de Erdogan).

 

- Você teme alguma retaliação a seus pais, que ainda vivem na Turquia?

Isso pode acontecer. Quando eles (governo turco) não encontraram uma pessoa, pegam mãe, pai, esposos que ainda estão lá, ou proíbem de deixar o país. Então eu tenho medo que aconteça algo assim, mas prefiro não falar mais sobre essa questão para evitar problema.

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