''Poderei mudar a imagem dos EUA, mas não completamente''

Ele admite que dificilmente teria apoio imediato de França e Alemanha, mas diz que, em sua política externa, ouviria aliados

Mike Dorning, global viewpoint, O Estadao de S.Paulo

29 de julho de 2008 | 00h00

O candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, foi entrevistado pelo correspondente do Chicago Tribune, Mike Dorning, após sua viagem de nove dias à Ásia, Oriente Médio e Europa. Ele disse que, como presidente, poderá mudar a imagem dos EUA.Após a viagem, o sr. pode se ver já no papel de presidente justificando as atitudes dos EUA no exterior?Eu me vi nesse papel antes. A viagem permitiu aos americanos ver-me assim também.O sr. poderá mudar a maneira como os EUA são vistos lá fora? Sim.Em quanto tempo?Não acredito que poderia modificá-la completamente. Não acredito que, de repente, apenas pelo fato de eu ser presidente, alemães e franceses estariam ansiosos por enviar suas tropas para a guerra. Mas acho que, em termos de essência e de tom, poderia projetar uma política externa americana que ouça (seus aliados).O sr. sentiu hostilidade em relação aos EUA na viagem? Não há hostilidade, mas frustração por certas escolhas da política americana.Sua viagem foi um gesto presunçoso?Não. Quando John McCain obteve a indicação, ele se encontrou com os mesmos líderes mundiais, fez as mesmas visitas, e, como convinha, foi para o Canadá, o México e a Colômbia, lugares nos quais expôs seu projeto de política externa. Ninguém o acusou de ser presunçoso. Não acho que tenha sido um gesto presunçoso.Qual foi a vantagem política da viagem?Não acho que, no curto prazo, haja vantagem política. Neste momento, as pessoas (nos EUA) estão preocupadas com o preço da gasolina, com o aumento dos preços dos gêneros de primeira necessidade. Assim, passar uma semana no exterior tem seu preço político. Mas, no longo prazo, a viagem talvez faça alguns eleitores se sentirem mais confiantes de que posso realmente funcionar no cenário global.O que faremos no Afeganistão se os europeus não mandarem mais soldados? Faremos o que for necessário combinando nossas tropas com as da Otan, coordenando-as mais eficientemente, trabalhando mais eficientemente no treinamento e na formação de um Exército afegão, e lidando com mais eficiência com o Paquistão, para que feche os refúgios terroristas em suas regiões fronteiriças.Pode haver progresso sem aumento de soldados europeus?Mandaremos mais duas brigadas. Faremos com que o governo afegão colabore de maneira mais efetiva, cuidando da corrupção, do comércio da papoula. E faremos com que o Paquistão se mostre mais alinhado com nossos objetivos.

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