Poderosos, Exércitos de Seul e Pyongyang estão sob tensão

Coreia do Norte conta com superexército, mas Coreia do Sul tem apoio americano em seu favor

Roberto Godoy, de O Estado de S. Paulo,

28 de maio de 2009 | 08h00

 

SÃO PAULO - Em Panmujon, ponto de checagem central do Paralelo 38 que separa as duas Coreias, um oficial do norte olha para o outro lado da linha e vê um soldado que também olha direto para ele. Fardas de combate. Insignías polidas. Armas e capacete. Muito perto. Tão perto que é possível ver o brilho do suor e a cadência da respiração de cada um deles. Hora após hora, dia e noite, há 56 anos.

 

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Na retaguarda dos militares postados na divisa, estende-se uma formidável máquina de guerra, poderosa de ambos os lados - perigosa mesmo sem a contabilidade do incerto arsenal nuclear do regime de Pyongyang.

 

Uma retomada do conflito interrompido em julho de 1953 colocaria em ação um dos maiores Exércitos do mundo - 1,2 milhões de soldados da Coreia do Norte, intensamente preparados. Diante dele estaria alinhada a força da Coreia do Sul, 687 mil combatentes, mais os sistemas de alta tecnologia recebidos dos Estados Unidos ao longo de meio século.

 

Kim Jong-il pode atacar para garantir o protagonismo de seu regime na região. "As principais economias em recuperação da crise estão ali", considera o analista Alexandre Ratsuo Uehara, pesquisador da USP e professor das Faculdades Integradas Rio Branco.

 

No Real Instituto Elcano, de Madri, o especialista Julio Rios lembra que "um conflito limitado levaria as potência mundiais a admitir o regime nas negociações que viriam". Para ele, todavia, o perigo de "uma nova velha guerra", é o da contaminação - "Rússia e China não serão meros observadores dos acontecimentos", sustenta. Os arsenais são enormes.

 

A Coreia do Norte gasta US$ 35 bilhões por ano para manter e expandir seu aparato de defesa. Embora as estrelas do momento sejam os mísseis, as forças de Kim Jong-il, bem treinadas e equipadas, fazem diferença na soma do poder de fogo.

 

Ao menos 90 mil militares integram uma sofisticada unidade de elite, o Comando de Aplicações Especiais, que reúne atiradores, times anfíbios, grupos de reconhecimento e de operações destruição, paraquedistas e sabotadores. São conhecidos como Morcegos e se vestem sempre de negro .

 

Ao sul e ao norte foram realizados ambiciosos programas e desenvolvidos projetos. Pyongyang está empenhada em revitalizar com rapidez sua frota de 3.500 tanques pesados - muitos deles robustos T-62 fornecidos pela extinta URSS e agora revitalizados com eletrônica de bordo, novos motores e um sistema de armas eficiente.

 

A capitalista Seul tratou de negociar com o aliado americano licenças para produção local de coisas como radares e o caça F-15K Eagle de múltiplo emprego, capaz de levar 11 toneladas de armas e voar a 2,6 mil km/hora. O regime totalitário considera uma carta na manga a capacidade de lançar ao mar um número elevado de submarinos de ataque e, simultaneamente, 50 caças MiG, 20 deles do tipo 29 atualizados, a maioria modelos 21, com 30 anos de uso. Do outro lado da linha há 250 jatos F-5K, prontos para o primeiro tiro.

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