Poeira causada por vulcão na Islândia paralisa sistema aéreo europeu

A erupção de um vulcão de pequeno porte na Islândia, o Eyjafjallajökul (Montanha da Ilha Glacial), semeou ontem o caos no transporte aéreo da Europa, com repercussões em todo o mundo. Entre 4 mil e 5 mil voos, de um total de 28 mil diários, seriam cancelados até o final da noite, causando a maior paralisação aérea desde os atentados do 11 de Setembro de 2001.

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2010 | 00h00

Depois de ser empurrada pelo vento por 2 mil quilômetros e atingir a Grã-Bretanha - paralisando o aeroporto de Heathrow, o mais importante do continente -, a nuvem atingiu a Escandinávia e chegava à Europa Continental na noite de ontem.

A interrupção dos voos foi causada porque as cinzas, formadas por partículas microscópicas, mas altamente abrasivas, podem aderir a turbinas e a equipamentos, levando a panes mecânicas e eletrônicas. Além disso, a nuvem poderia provocar problemas de visibilidade.

A atividade do vulcão provocou sismos na região e também causou a morte de dois turistas. Pelo menos 800 pessoas tiveram suas casas inundadas com derretimento de geleiras na Islândia e ficaram desabrigadas.

Os problemas começaram a ser sentidos a partir do final da noite de quarta-feira e da madrugada de quinta, quando o Eyjafjallajökul, situado na geleira de mesmo nome, a cerca de 150 quilômetros da capital, Reykjavik, entrou em atividade. Foi a segunda erupção ocorrida na ilha em um mês.

Mesmo que sua dimensão seja menor se comparado aos grandes vulcões da Europa, o transtorno causado foi gigantesco. Isso ocorreu porque a erupção jogou sobre o Atlântico uma camada de cinzas cuja espessura variava entre 6 quilômetros e 11 quilômetros. A região fica perto de uma das rotas aérea mais movimentadas do mundo, ligando a Europa à costa leste dos EUA.

O Serviço de Controle de Tráfego Aéreo (NATS) britânico ordenou o fechamento progressivo dos aeroportos. A interrupção para pousos e decolagens tornou-se total às 13 horas, incluindo Heathrow, por onde circulam diariamente 1,2 mil voos e 180 mil passageiros.

A partir de então, o caos começou a se espalhar pela Europa. Irlanda, Escócia, Dinamarca, Noruega, Suécia e Bélgica fecharam seus espaços aéreos ao longo do dia. No final da tarde, França - incluindo o aeroporto Charles de Gaulle, em Paris -, Holanda, Finlândia, Suíça e Alemanha também fecharam parcialmente.

As consequências do transtorno na Europa espalharam-se por todo o mundo, incluindo o Brasil (mais informações nesta página). Segundo as autoridades de controle de voo da Europa, a suspensão poderia estender-se para hoje.

Riscos. "Nós estimamos que entre 4 mil e 5 mil voos poderão ser afetados até a meia-noite de hoje (ontem)", afirmou Kyka Evans, porta-voz do escritório Eurocontrol, que organiza, de Bruxelas, o tráfego aéreo na Europa.

Os executivos do escritório preveem pelo menos mais dois dias de interrupções parciais ou totais na região atingida pela nuvem. "É provável que a produção de cinzas vá prosseguir em um nível comparável ao de hoje durante vários dias ou semanas", confirmou Einar Kjartansson, geofísico do Escritório Islandês de Meteorologia.

PARA LEMBRAR

Pinatubo, o terror filipino

A força do vulcão Eyjafjallajökul fez lembrar a erupção do filipino Pinatubo, em 1991, a maior tragédia do tipo nas últimas décadas. Mas no caso das Filipinas a atividade do vulcão havia sido detectada com antecedência e dezenas de milhares de pessoas foram retiradas. Mesmo assim, milhares de construções foram engolidas pela lava. A mais violenta erupção do século 20 ocorreu em 1912, no Alasca, com o Novarupta. A lava formou uma camada de dois quilômetros de largura.

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