POETA RETORNA A CUBA APÓS 25 ANOS

Viagem é parte das iniciativas de reaproximação

O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2015 | 02h02

A senhora olhava com desconfiança pela janela quando o poeta cubano-americano Richard Blanco e uma amiga escritora desceram de um velho sedã da era soviética e caminharam na direção da casa.

"Estou procurando a casa de meus avós", explicou Blanco, e disse os nomes dos parentes que viveram nessa que foi uma próspera cidade açucareira antes da revolução.

"Ah! Você é o filho de Carlito!", respondeu Moraima Gonzalez, de 83 anos. Ela correu para a porta e abraçou o visitante.

Blanco realizou sua primeira viagem a Cuba depois de o presidente Bill Clinton abrandar as restrições de viagem nos anos 90. Em 2012, ele se tornou símbolo da América moderna, ao ser escolhido para ler um poema na cerimônia de posse do presidente Barack Obama - o primeiro latino, assumidamente gay e imigrante a ser honrado com tal convite.

Esta semana, Blanco, de 47 anos, viajou à terra de seus pais depois de mais de 25 anos fora, no âmbito de uma iniciativa para reafirmar os vínculos econômicos e diplomáticos por meio da arte e da literatura.

Blanco e sua amiga Ruth Behar, famosa cronista da vida cubano-americana e das comunidades judaicas em Cuba, realizaram um tour de uma semana pela ilha, apresentando-se e recrutando escritores e artistas cubanos para um novo site.

"Depois de o presidente Obama anunciar uma distensão com Cuba", em dezembro, "senti que nunca fui mais americano e mais cubano", disse o poeta. "Na verdade, tenho duas casas e amo dois países."

Para Blanco, a viagem serviu para avaliar as mudanças em Cuba desde que o presidente Raúl Castro lançou medidas para reformar a economia do país, há cerca de um ano.

Ele ficou surpreso com experiências que jamais havia tido antes em Cuba - como ir a um restaurante tão chique a ponto de se sentir mal vestido, ver dois homens atores se beijando no palco em uma peça e ouvir um garçom dizer que um prato havia sido retirado do cardápio porque o principal ingrediente não atendeu às expectativas.

"Por um momento, esqueci que estava em Cuba. Tudo ficou mais fácil de fazer", afirmou. / AP

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