Pol Pot liderou regime cruel, que aboliu religião e perseguiu intelectuais

Os horrores do período mais truculento do Khmer Vermelho no Camboja voltaram a assombrar o país desde o mês passado, quando teve início o julgamento - supervisionado pela ONU e pelo governo cambojano - de integrantes do regime comunista acusados pela morte de 1,7 milhão de pessoas entre 1975 e 1979. No banco dos réus estão os cinco líderes sobreviventes do Khmer Vermelho.Sob o comando de Pol Pot, o líder sanguinário do Khmer, o Camboja mergulhou naqueles anos nas trevas do fanatismo ideológico. O regime pregava a abolição da religião e do dinheiro. Milhares de pessoas foram obrigadas a migrar das cidades para o campo, onde eram submetidas a trabalhos forçados para criar uma civilização agrária igualitária. Bibliotecas foram transformadas em chiqueiros e intelectuais, perseguidos e massacrados. Cerca 26% da população do país acabou morta no período - por tortura, fome ou doenças. O regime de horror acabou com a invasão do Vietnã, em 1979, que obrigou Pol Pot e os demais líderes do Khmer a buscar refúgio nas selvas da fronteira com a Tailândia. Dali, lideraram uma resistência à ocupação vietnamita - com reconhecimento da ONU e controle da região oeste do país - até 1989, quando o Vietnã retirou seus soldados do Camboja. No ano seguinte, o Khmer Vermelho reconheceu o governo provisório estipulado pela ONU. Pol Pot reapareceu em 1997. Mas foi condenado à prisão domiciliar perpétua pelo próprio Khmer, sob acusação de ter mandado matar seu braço direito. Pol Pot morreu em 1998, aos 70 anos, de ataque cardíaco.

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