Travis Dove/NYT via AP
Travis Dove/NYT via AP

Polarização é fator mais decisivo que a pandemia nas eleições americanas, apontam analistas

Apesar de mal nas pesquisas, Donald Trump mantém chances reais de reeleição

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 14h20

A pandemia do novo coronavírus pode ser um fator secundário nas eleições americanas, se comparada à polarização sobre questões culturais nos Estados Unidos. É isso que apontam analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast.

A convenção do Partido Republicano confirmou a candidatura de Trump nessa segunda-feira, 24, apesar do mal desempenho do presidente em pesquisas eleitorais recentes, que apontam vantagem para Joe Biden.

Para Clifford Young, membro do Instituto Ipsos e professor da Universidade Johns Hopkins, e Denilde Holzhacker, cientista política e professora de Relações Internacionais da ESPM-SP, Trump mantém possibilidades reais de reeleição apesar das críticas em torno da condução da pandemia no país.

"É uma sociedade que cada vez mais se divide. A polarização de 2016 não diminuiu com Trump, ela aumentou", lembra Denilde. A cientista política aposta no resgate do discurso "nós contra eles" na eleição deste ano. "Trump vai enfatizar esse posicionamento cultural. Só não sabemos se isso será suficiente", disse Clifford Young durante a live "Eleições americanas: desafios e possibilidades para Trump e Biden", promovida pelo Estadão/Broadcast.

O membro do Instituto Ipsos nos EUA lembrou também que o sistema eleitoral americano é baseado no colégio eleitoral. Isso significa que as intenções de voto mostradas nas pesquisas não são indicadores totalmente precisos.

"O voto popular não importa nos Estados Unidos. É difícil explicar isso para estrangeiros, mas, aqui, com o colégio eleitoral, temos 50 eleições diferentes, uma em cada Estado", disse. E completou: "Trump está em situação mais difícil, mas ele não está morto".

Para a professora Denilde, um fator que pode pesar é o fato do rival de Trump, o democrata Joe Biden, não se apresenta de forma tão convicta quanto o atual presidente. Segundo ela, isso se torna um obstáculo ainda maior em um país em que o voto não é obrigatório, e o candidato precisa convencer o eleitor a sair de casa para votar.

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