Polêmica sobre charges domina imprensa européia e árabe

A polêmica sobre a publicação das charges sobre o profeta Maomé domina a imprensa européia e árabe. Segundo o jornal francês Le Figaro, o clamor no mundo árabe despertou profunda preocupação na França. "Parlamentares da direita e da esquerda condenaram por unanimidade as ameaças de retaliação física e defenderam a liberdade de expressão", diz o jornal. O El País reproduz na primeira página uma charge publicada pelo francês Le Monde na quinta-feira, com uma mão escrevendo em uma página. "Não devo desenhar Maomé", diz o texto formado por palavras arranjadas de tal forma que foram uma imagem do profeta muçulmano. O diário tcheco Mlada Fronta Dnes, o que está acontecendo "é um choque de civilizações". O espanhol La Vanguardia descreve liberdade de expressão como "a pedra fundamental do sistema democrático". Na Grã-Bretanha, o Financial Times diz que os líderes europeus estão intervindo para tentar conter a controvérsia e que o protesto dos árabes já está prejudicando empresas dinamarquesas (o primeiro a publicar as charges foi um jornal da Dinamarca). A Arla, empresa de laticínios da Dinamarca, admitiu que suas vendas em países do Oriente Médio caíram a zero, segundo o FT.Outro ladoO jornal Al-Ra´y, da Jordânia, diz que o episódio mostra que existe entre Europa e o Oriente Médio "um ressentimento de mil anos". Segundo o jornal, "o que alguns meios de comunicação de massa fizeram não é mais do que um elo ou um capítulo das Cruzadas em seu sentido civilizado e não apenas religioso".Já o jornal Al-Thawrah, de propriedade do governo sírio, discute a hostilidade. "O enorme volume de mensagens da mídia que mostram uma visão de hostilidade entre o Ocidente e o Islamismo, que é apoiado por todo tipo de mentiras, fabricações e idéias racistas destrutivas, requer esforços sérios para torná-las clara por meio de uma estratégia de reação que não seja restrita aos árabes apenas, mas que inclua também pessoas honradas do outro lado", diz Al-Thawrah.Em editorial, o jornal da Arábia Saudita Al-Watan diz que "a reação do mundo islâmico à ofensa contra o profeta em um jornal dinamarquês é justificada, compreensível e necessária".

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