Pablo Martinez Monsivais/AP
Pablo Martinez Monsivais/AP

Polêmica sobre e-mails ganha força e Hillary cai nas pesquisas

Colunista do 'Washington Post' Bob Woodward afirma que história tem muita semelhança com o escândalo Watergate

O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 07h00

WASHINGTON - A pré-candidata democrata à presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton tenta minimizar o polêmico uso de um servidor privado de e-mails para comunicações oficiais quando era secretária de Estado, em um momento em que sofre queda nas pesquisas de intenção de voto.

O Departamento de Estado confirmou nesta segunda-feira, 17, a um tribunal de Washington que o número de e-mails que as agências de inteligência querem revisar, por possivelmente conterem informações sigilosas, aumentou para mais de 300.

O fato de Hillary ter recebido ou enviado mensagens oficiais por meio de seu servidor privado com informação sigilosa viola as normas de proteção de informação do governo americano.

A pré-candidata democrata reiterou que jamais trocou e-mails desse tipo enquanto secretária de Estado durante o primeiro mandato do presidente americano, Barack Obama, algo que supostamente só fazia com documentos físicos em seu escritório ou locais seguros.

Hillary rebateu as críticas na última sexta-feira em Iowa, onde brincou que se uniu ao Snapchat porque "essas mensagens desaparecem sozinhas" na rede social, famosa pela característica de possibilitar que fotos e vídeos sumam segundos após serem vistos.

Em uma entrevista a uma emissora de rádio pública em Iowa, Hillary garantiu que fez o que qualquer outro secretário de Estado teria feito. Além disso, afirmou que recebeu permissão para utilizar seu servidor privado de e-mails.

"Nunca recebi ou enviei e-mails sigilosos. Isso é um problema que vai se resolver sozinho", explicou Hillary, afirmando que ela foi a primeira a pedir que todas as mensagens se tornassem públicas.

Apesar das tentativas de minimizar a importância da polêmica, o colunista do jornal The Washington Post Bob Woodward afirmou que a história tem muita semelhança com o escândalo "Watergate", que provocou a renúncia do ex-presidente Richard Nixon em 1974.

Woodward qualificou o fato de Hillary utilizar um servidor privado para comunicações oficiais como "inimaginável". E criticou a decisão da ex-secretária de Estado de apagar outros 30 mil e-mails que poderiam ser de grande interesse público, ao mostrarem para os americanos quem realmente é a pré-candidata democrata.

O jornalista, que junto a Carl Bernstein revelou o escândalo do "Watergate", afirmou que a polêmica de Hillary lembra as gravações feitas por Nixon das conversas realizadas em seu gabinete. "Milhares de horas de conversas gravadas secretamente que ele pensava que eram exclusivamente para seu uso", recordou Woodward.

Hillary entregou na última semana todos os registros armazenados no servidor pessoal de e-mail ao Departamento de Justiça, que iniciou uma investigação sobre o caso.

A polêmica ganha força ao mesmo tempo em que a ex-secretária de Estado cai nas pesquisas para a indicação democrata à presidência. Segundo uma pesquisa da emissora Fox News, pela primeira vez Hillary ficou com menos de 50% dos votos, perdendo quase dez pontos porcentuais frente a Bernie Sanders, principal rival na corrida presidencial dentro do partido, em só duas semanas.

A ex-primeira-dama está com 49% do apoio democrata contra 30%, que continua sendo o pré-candidato que mais pessoas reuniu em seus atos de campanha.

O escândalo dos e-mails de Hillary está sendo utilizada pelos republicanos para atacar a reputação da adversária democrata quando foi secretária de Estado, reforçando a imagem de uma pessoa protegida pelo sigilo para não responder por seus erros. / EFE


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