Polícia acha cadáver em galpão de atirador na Bélgica

Amrani matou faxineira do vizinho antes de seguir para o centro de Liège onde executou 2 jovens, 1 bebê e se suicidou

LIÈGE, BÉLGICA, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h03

Um dia após o massacre, a polícia belga tenta montar um quebra-cabeças que explique o que levou Nordine Amrani a matar 4 pessoas, ferir 123 e suicidar-se, na terça-feira. Ontem, investigadores encontraram o corpo de uma mulher de 45 anos em um galpão perto do apartamento dele. Ela era faxineira de um vizinho e foi morta com um tiro na cabeça pouco antes da chacina.

"O corpo estava no galpão que Amrani usava para cultivar maconha", disse o procurador de Liège, Cédric Visart de Bocarmé, que não deu detalhes sobre a identidade da mulher. Jean-François Dister, advogado de Amrani, tem ajudado a polícia a traçar um perfil do atirador.

Segundo ele, seu cliente tinha "pavor" de ser preso novamente - em 2008, ele havia sido condenado a 58 meses de cadeia por tráfico de drogas e de armas, mas não cumpriu nem metade da pena, ganhando liberdade condicional em outubro de 2010.

Na terça-feira, no momento do massacre, Amrani deveria prestar depoimento sobre um caso de abuso sexual no Palácio de Justiça de Liège, localizado na Praça Saint-Lambert. "Ele achava que era perseguido pela Justiça, que o depoimento era parte de uma conspiração contra ele."

O advogado disse ainda que, apesar da origem marroquina, Amrani não tinha nenhuma ligação com o fundamentalismo islâmico. "Ela não se sentia marroquino, não falava uma palavra de árabe e não era muçulmano. Ele me disse que se sentia belga."

A Procuradoria de Liège corrigiu ontem para quatro o número de mortos. Um jovem de 20 anos e uma idosa de 75 anos, antes na lista de vítimas, permanecem internados em um hospital da cidade - outras três pessoas também estão em estado grave.

Drama. Amrani, portanto, matou dois adolescentes, um de 15 anos e outro de 17, e um bebê de 17 meses - a quarta vítima seria a faxineira encontrada ontem. Ele teria usado uma pistola, três granadas e um fuzil FAL. A polícia belga também confirmou ontem que ele se matou com um tiro na cabeça.

Em um depoimento dramático à imprensa local, Olivia Leblonk conta como assistiu à morte do filho, Gabriel, em seus braços. Ela e o marido, Romuald, levaram o bebê para as compras de Natal no centro da cidade.

"Quando descemos do ônibus, meu marido me entregou o bebê. Ele estava em meus braços quando ouvi o som de tiros seguidos de um flash de luz, como um relâmpago. Gritei. Ele tinha sido atingido na parte de trás da cabeça." / REUTERS e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.