Polícia acusa grupo de Murdoch de dificultar investigação sobre escutas

Segundo subcomissariados, investigações avançavam até onde advogados do tabloide permitiram

Efe

12 de julho de 2011 | 12h56

LONDRES - Altos comandantes da Polícia Metropolitana de Londres acusaram nesta terça-feira, 12, a News International, propriedade de Rupert Murdoch, de ter prejudicado sua investigação inicial sobre escutas ilegais supostamente praticadas em jornais do grupo.

 

Em um comparecimento perante uma comissão parlamentar, o subcomissário John Yates e seu ex-colega Peter Clarke denunciaram por "falta de cooperação" a filial britânica da News Corporation, o conglomerado empresarial de Murdoch que administra suas publicações no Reino Unido.

 

O mais contundente foi Clarke, encarregado entre 2005 e 2006 das investigações iniciais sobre escutas ilegais, que afirmou que o trabalho somente pôde avançar até onde os advogados do "News of the World" o permitiram.

 

Os altos comandantes policiais compareceram devido às acusações de corrupção que pesam sobre alguns agentes por receber supostamente dinheiro de jornalistas desse tabloide em troca de informação.

 

Em relação à primeira investigação policial, Clarke disse que ofereceram "pouquíssimo material" e acrescentou que, "se News International tivesse uma boa cooperação, não estaríamos aqui hoje".

 

Há poucos dias, se soube que News International não entregou à Polícia até junho e-mails que demonstrariam que a prática das escutas ilegais estava bem estendida na publicação e que houve subornos envolvendo a Polícia.

 

Sobre os supostos subornos à Polícia, Yates assegurou que ele mesmo, cujo telefone também foi grampeado, nunca recebeu dinheiro de jornalistas em troca de informação, mas é "altamente provável" que colegas tenham feito.

 

Em seu comparecimento, Yates lamentou ter decidido em 2009 não reabrir a investigação sobre as escutas, ao considerar que não havia provas novas, depois que o jornal "The Guardian" publicasse que haviam afetado milhares de pessoas.

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