AP Photo/Michael Probst
AP Photo/Michael Probst

Polícia alemã intensifica buscas por suspeito de ataque em Berlim

Policiais estão em busca de um tunisiano após encontrarem um documento de identidade debaixo do banco do motorista do caminhão envolvido no atentado; nível de alerta no país foi elevado e agentes ampliaram medidas de segurança

O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2016 | 08h07

BERLIM - A polícia alemã intensificou as buscas nesta quarta-feira, 21, pelo motorista de um caminhão que matou 12 pessoas ao invadir uma feira natalina em Berlim, e está seguindo diversas pistas sobre ele. Um suspeito foi preso nesta manhã por suposta ligação com o ataque, mas foi solto pouco depois, relatou a rede alemã RBB.

Os policiais estão em busca de um tunisiano entre 21 e 23 anos após terem encontrado um documento de identidade debaixo do banco do motorista do caminhão envolvido no atentado, segundo a revista Der Spiegel. O documento estaria em nome de Anis A., nascido na cidade de Tataouine, na Tunísia, em 1992. O homem em questão é conhecido com três nomes diferentes, acrescentou a publicação.

Após libertarem na terça-feira um paquistanês postulante a asilo, que havia sido preso próximo ao local por suspeita de ligação com o ataque, autoridades alertaram que o verdadeiro agressor ainda está foragido e pode estar armado. "Não podemos descartar que o autor esteja em fuga", disse ao canal ZDF o ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière. A polícia disse que ainda não se sabe se o agressor estava agindo sozinho.

O Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do atentado e afirmou que o autor o cometeu "em resposta aos apelos para atacar os cidadãos dos países da coalizão internacional" que luta contra o grupo jihadista.

O chefe da Associação Nacional Alemã de Detetives disse a uma emissora alemã na terça-feira que a polícia espera realizar a prisão do homem procurado em breve. "Estou relativamente confiante de que talvez amanhã ou no futuro próximo poderemos apresentar um novo suspeito", disse Andre Shulz durante programa na rede ZDF.

O chefe da Polícia de Berlim, Klaus Kandt, anunciou a elevação do nível de alerta no país e a ampliação das medidas de segurança. "Estamos em um caso em que talvez tenhamos um criminoso perigoso na região e isso, obviamente, deixa as pessoas nervosas", disse ele. Após a liberação do suspeito, Kandt afirmou ao canal ARD que acredita que "um ou mais" criminosos podem estar fugindo e possivelmente estão armados.

De Maizière disse que há várias linhas de investigação abertas, mas que "é necessário deixar que os serviços de segurança façam seu trabalho". "Ninguém vai descansar até que o autor ou os autores sejam presos", completou.

Críticas. A chanceler Angela Merkel visitou na terça-feira o local do ataque e prestou um minuto de silêncio. O atentado acontece em um momento delicado para ela, que disputará um quarto mandato em 2017, mas que recebeu fortes críticas recentemente por sua decisão de abrir as fronteiras aos refugiados em 2015.

A entrada de 890 mil refugiados polarizou o país e muitas vozes críticas da decisão da chanceler de receber os imigrantes utilizaram como argumento os riscos para a segurança. Após o ataque, os opositores denunciaram que a abertura de Merkel coloca o país em risco.

Marcus Pretzell do partido de direita Alternativa para Alemanha (AfD), que tem um discurso anti-imigração, afirmou que as vítimas de Berlim são "os mortos de Merkel". De Maizière respondeu e qualificou as acusações de "odiosas", de acordo com o jornal alemão Bild. /REUTERS e AFP

Mais conteúdo sobre:
Alemanha Terrorismo Estado Islâmico

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.