Jason Reed/Reuters
Jason Reed/Reuters

Polícia alertou militares sobre autor de chacina em base naval de Washington

Problemas psiquiátricos de Aaron Alexis fizeram autoridades de Newport acionar policiais navais

O Estado de S.Paulo,

18 de setembro de 2013 | 00h27

WASHINGTON - Aaron Alexis, identificado como o atirador que fez 12 vítimas e foi morto em um complexo militar de Washington, era reservista, teve problemas com a lei e ajudou, segundo relatório policial, no resgate de vítimas do 11 de Setembro - experiência que o teria afetado profundamente. Mês passado, a polícia de Rhode Island alertou as Forças Armadas de que Alexis, de 34 anos, funcionário terceirizado da Marinha, "escutava vozes".

Os EUA anunciaram que reformularão as regras de segurança em todas as suas bases militares, dentro e fora do país. Uma delegacia de Newport disse ter alertado a polícia naval sobre Alexis, que teria se queixado de problemas psiquiátricos a autoridades policiais. Ele supostamente disse que pessoas enviavam "vibrações" ao seu corpo, o que o impedia de dormir. A polícia naval teria se comprometido a investigar o caso, segundo o delegado de Newport.

No sábado - dois dias antes do ataque -, Alexis comprou uma arma calibre 12 e munições em uma loja de Virgínia, a 25 km do complexo conhecido como Navy Yard, onde realizaria a chacina. O proprietário do local disse que os dados do cliente foram verificados, conforme prevê a nova lei federal, mas nada o impedia de adquirir o armamento.

Alexis tinha um histórico de problemas com a polícia. Em 2004, segundo um relatório policial de Seattle, ele saiu da casa de sua avó, puxou uma pistola calibre 45 e disparou três tiros, dois nos pneus do carro de um operário da construção e um para o alto. O administrador da construção disse à polícia que achava que ele estava irritado por estacionar fora do local de trabalho. Alexis, entretanto, disse ter "apagado" em razão da ira e só conseguiu se lembrar de ter disparado a arma cerca de uma hora após o episódio.

Na ocasião, o agressor disse que estava em Nova York durante os ataques de 11 de Setembro e descreveu a um detetive "como aqueles eventos o haviam perturbado", segundo um relatório da polícia. Seu pai afirmou aos policiais que Alexis teve problemas associados a um distúrbio de estresse pós-traumático e havia sido um "participante ativo" nas tentativas de resgate no 11 de Setembro.

Havia cinco anos, Alexis não tinha contato com sua mulher, Naomi, segundo afirmou nesta terça-feira o cunhado do atirador.

Tailândia. Policiais ainda não concluíram qual foi o motivo que levou o funcionário da Marinha a abrir fogo contra colegas. Alexis nasceu no bairro nova-iorquino do Queens em 1979. Ele cresceu numa região de marcada diversidade cultural, com asiáticos, hispânicos e judeus ortodoxos, e se entusiasmou posteriormente pela cultura tailandesa.

Alexis trabalhou como garçom num restaurante tailandês, estudou a língua, cantava e meditava regularmente em templos budistas.

De 2007 a 2011, foi da Marinha, servindo como ajudante de eletricista de aviação e alcançando a patente de suboficial de terceira classe. Foi designado para um esquadrão de apoio logístico, onde sua especialidade era consertar sistemas elétricos em aviões.

O secretário da Marinha, Ray Mabus, disse à CNN que Alexis estava na "reserva de prontidão", o que significa que ele não tinha contato diário com a Marinha, mas, se houvesse convocação, "seria um dos mobilizados".

O reservista recebeu a Medalha de Serviço de Defesa Nacional e a Medalha de Serviço de Guerra Global ao Terrorismo, duas honrarias militares comuns, mas há indícios de que ele teve problemas com a instituição. Alexis exibiu "um padrão de mau comportamento", segundo oficiais navais.

Depois de sair, tornou-se um prestador de serviço para a Marinha. Alexis trabalhava para uma empresa ligada à Hewlett-Packard (HP) que fazia manutenção do sistema de internet da Marinha, segundo uma declaração da HP. Ele estava vivendo havia semanas num hotel, juntamente com colegas, especialmente para trabalhar no projeto do Navy Yard.

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