Walter Diaz / AFP
Walter Diaz / AFP

Polícia argentina faz buscas em casa de campo de Cristina Kirchner

Propriedade está localizada próximo da geleira Perito Moreno, na Patagônia, uma das atrações turísticas do país

O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2018 | 20h09

BUENOS AIRES - Oficiais de Justiça e policiais fizeram buscas neste sábado, 25, em uma casa de campo, na Província de Santa Cruz, da ex-presidente e senadora argentina Cristina Kirchner, investigada por corrupção, em um caso que envolve empresários e ex-altos funcionários, pelo segundo dia consecutivo.

Esta semana também foram alvo de procedimentos similares outras duas residências da mulher que governou a Argentina entre 2007 e 2015, após suceder o marido, Néstor Kirchner (2003-2007), que morreu em 2010. Por enquanto, não foi encontrado nada de importante, segundo fontes judiciais citadas pela imprensa local.

"Foi analisado neste sábado o subsolo da casa", disse uma fonte da investigação, citada pela imprensa. Não foi informado se a operação vai prosseguir no domingo.

O juiz encarregado do caso, Claudio Bonadio, considera que o "casal K" comandava uma associação ilícita, destinada a arrecadar propinas milionárias, uma acusação à qual se somou o presidente argentino, Mauricio Macri. 

Kirchner reagiu e disse esta semana ser uma perseguida política do macrismo, ao qual acusou de montar "um show midiático", enquanto a população sofre com "políticas econômicas horríveis".

A residência revistada é uma casa de dois andares na localidade de El Calafate, na Província de Santa Cruz, na Patagônia argentina. A casa com jardim fica próxima da geleira Perito Moreno, uma das atrações turísticas do país, 2 mil km a sudoeste de Buenos Aires.

Paredes e pisos 

Batalhões de funcionários da Justiça e policiais fizeram as buscas, equipados com escâneres para examinar dentro das paredes ou dos pisos. Esses procedimentos são realizados depois que o Senado deu luz verde a um pedido da Justiça para fazer buscas nas residências de Kirchner, um passo necessário devido ao foro privilegiado da senadora, que também votou a favor da medida.

As buscas no apartamento de Kirchner em Buenos Aires durou 13 horas entre a quinta e a sexta-feiras. A segunda operação foi na casa da família em Río Gallegos, também na Patagônia, a 300 Km de El Calafate.

"O dinheiro da corrupção explica todas as coisas que nos faltam (no país)", disse Macri na sexta-feira.

Ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1980, Adolfo Pérez Esquivel afirmou neste sábado que "desatou-se em todo o continente a criminalização e a perseguição das frentes políticas populares" em Argentina, Brasil e Equador.

Um relatório da Justiça divulgado na sexta-feira mostrou que na investigação foram tomados até agora "52 depoimentos indagatórios, tendo conseguido a detenção de 26 pessoas, 11 das quais foram postas em liberdade, subsistindo 2 pessoas com ordem de captura".

"Entre os acusados, 17 depuseram como arrependidos, e 15 deles assinaram acordos que foram homologados pelo juizado e serão beneficiados com uma redução de pena", indicou o documento.

Entre os grandes empresários envolvidos estão magnatas de obras públicas e da indústria, como Paolo Rocca (Techint). Entre os arrependidos está um executivo da empresa espanhola Isolux.

As investigações começaram em 2 de agosto quando o juiz Bonadio chamou para depor Oscar Centeno, motorista de um ex-ministro de Kirchner, para interrogá-lo sobre o conteúdo de cadernos nos quais, durante mais de uma década, anotou as viagens que fez levando milhões de dólares de supostas propinas de empresários para altos funcionários. Ex-militar expulso do Exército, Centeno está em liberdade sob custódia. / AFP

 

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